O governo de Donald Trump apresentou nesta quinta-feira um plano preliminar que prevê uma ampla expansão da exploração de petróleo e gás natural em águas marítimas dos Estados Unidos, reabrindo áreas sensíveis na Costa Oeste e no Ártico para novos leilões.
O projeto, divulgado pelo Departamento do Interior, inclui até 34 rodadas de concessões offshore, como são chamadas as explorações de petróleo no mar, 21 na costa do Alasca, seis no Pacífico e sete no Golfo do México, que o presidente republicano rebatizou de “Golfo da América”.
Segundo a pasta, o objetivo é retomar a produção doméstica de petróleo após o que o governo Trump classifica como um período de retração provocado pelo plano da administração de Joe Biden, que previa apenas três leilões entre 2024 e 2029.
Veja também

Reembolsos do Master devem começar em 2025, diz presidente do FGC à CNN
Gás gratuito chega a 1 milhão de famílias a partir de segunda-feira
— A administração Biden pisou no freio dos leilões de petróleo e gás offshore e paralisou o fluxo de longo prazo da produção marítima dos EUA — disse o secretário do Interior, Doug Burgum. — Ao avançar com um plano robusto, garantimos que a indústria offshore siga forte, os trabalhadores permaneçam empregados e o país mantenha sua dominância energética por décadas.
A proposta ainda passará por meses de consultas públicas e revisões antes de ser finalizada, e deve sofrer cortes. Antes mesmo de ser divulgada, partes do texto foram alteradas, após o governo Trump retirar da lista novos leilões na Costa Leste, em meio à reação negativa de parlamentares republicanos do Sudeste, que se opõem à perfuração no Atlântico.
Apesar dos ajustes, o plano sinaliza a intenção do governo Trump de ampliar a fronteira de exploração energética. O rascunho inclui áreas no Mar de Beaufort, Cook Inlet e Mar de Chukchi, no Alasca, além de uma faixa no alto Ártico, localizada a cerca de 320 quilômetros ao norte da costa. Caso seja mantida, seria a primeira vez que o governo americano autorizaria concessões em uma região considerada ambientalmente frágil. Para representantes da indústria, a amplitude é estratégica.
— Esta é uma etapa ampla, que lança uma rede extensa no processo — afirmou Erik Milito, presidente da National Ocean Industries Association.— Não é a fase final, e é importante manter o máximo de áreas possível na mesa.
O anúncio provocou forte reação de grupos ambientais e de autoridades da Costa Oeste. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou a proposta como “morta na largada” e disse que o estado se oporá a qualquer tentativa de retomar a perfuração em sua costa.
— O que os EUA menos precisam agora é de uma expansão massiva da perfuração offshore que possa contaminar nossas costas com derramamentos catastróficos — afirmou Joseph Gordon, diretor da ONG Oceana. — Vender milhões de acres de oceanos é uma traição às vozes bipartidárias — parlamentares, líderes empresariais e comunidades costeiras — que rejeitam mais exploração.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
A disputa deverá se estender pelos próximos meses, à medida que o plano avança para consultas públicas e revisões técnicas. Caso aprovado, marcará uma das maiores expansões de perfuração offshore já propostas por um governo americano.
Fonte: O Globo