Presidente dos EUA recusou a proposta de Teerã para reabrir a estratégica via marítima em sete dias e acusa Irã de perder terreno
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste sábado (26) uma proposta apresentada pelo Irã para reabrir, em até sete dias, o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás no mundo.
A proposta havia sido anunciada pelo governo iraniano na sexta-feira. Segundo Teerã, a reabertura da passagem ocorreria sete dias após a validação de um acordo com os Estados Unidos.
“A escolha cabe agora” a Washington, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante uma declaração na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
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O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, afirmou que a proposta foi elaborada em coordenação com o líder supremo Mojtaba Khamenei. Segundo ele, uma equipe formada por seis integrantes foi criada com autorização para tomar decisões durante as negociações.
Trump, porém, descartou a oferta. Ao ser questionado por jornalistas em frente à Casa Branca, o presidente americano declarou: “Rejeito a proposta deles”.
Segundo Trump, os dirigentes iranianos estariam tentando chegar rapidamente a um acordo para reabrir o estreito porque estariam enfrentando dificuldades no conflito.
O Estreito de Ormuz está no centro da crise entre Washington e Teerã. A passagem marítima é utilizada para o transporte de uma parcela significativa do petróleo e de outros combustíveis comercializados internacionalmente.
Na sexta-feira, Trump publicou em sua rede social Truth Social um mapa da região no qual o estreito aparecia identificado como “Estreito Trump”, em mais um sinal da tensão entre os dois governos.
Antes da declaração do presidente americano, o jornal The Wall Street Journal, citando autoridades dos Estados Unidos, informou que Trump teria rejeitado a proposta iraniana por considerar que Teerã não atenderia às exigências apresentadas por Washington.
O jornal também relatou que o governo americano avalia a possibilidade de retomar os bombardeios contra o Irã depois das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro.
Os Estados Unidos não realizam ataques contra o território iraniano desde 1º de setembro, quando uma ofensiva deixou cinco mortos e dezenas de feridos durante um casamento no sudeste do Irã. Apesar disso, confrontos envolvendo embarcações continuaram na região do Estreito de Ormuz.
A guerra também tem provocado pressão política dentro dos Estados Unidos, principalmente devido ao aumento dos preços dos combustíveis. A proximidade das eleições de meio de mandato aumenta a pressão sobre o governo Trump em relação à condução do conflito no Oriente Médio.
Segundo Abbas Araghchi, a proposta apresentada pelo Irã prevê medidas que já estavam previstas em um protocolo de acordo firmado com Washington em junho.
O entendimento tinha como objetivo estabelecer um cessar-fogo duradouro, permitir a reabertura do Estreito de Ormuz e, posteriormente, iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. O acordo, porém, acabou fracassando diante das divergências entre os dois governos sobre as condições para a passagem pelo estreito.
Entre as exigências apresentadas por Teerã estavam o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o conflito no Líbano, o desbloqueio de ativos iranianos congelados desde a Revolução Islâmica de 1979, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões, além da suspensão das sanções sobre o petróleo iraniano e do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.
Em entrevista à AFP, o porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, Hossein Mohebi, também defendeu o fim dos combates no Iêmen.
O país se tornou outro ponto de tensão na região após a retomada dos confrontos entre os houthis, aliados de Teerã, e o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita.
A crise também envolve o Estreito de Bab el-Mandeb, outra passagem marítima estratégica para o comércio internacional de petróleo e para a ligação entre Europa e Ásia pelo Canal de Suez.
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Com a rejeição de Trump à proposta, permanecem as divergências entre Washington e Teerã sobre as condições para a reabertura do Estreito de Ormuz e para uma possível retomada das negociações de paz.