O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta semana a revogação da chamada “constatação de perigo”, norma criada em 2009 que reconhecia oficialmente que as mudanças climáticas representam uma ameaça à saúde pública e dava poder à Environmental Protection Agency (EPA) para controlar a emissão de gases do efeito estufa.
A regra havia sido implantada durante o governo de Barack Obama e servia como base legal para limitar poluentes como dióxido de carbono e metano, principalmente emitidos pela queima de combustíveis fósseis.
Ao anunciar a decisão na Casa Branca, Trump classificou a política como “um desastre da era Obama” e afirmou, sem apresentar dados, que os combustíveis fósseis “salvaram milhões de vidas”.
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— Estamos oficialmente encerrando essa chamada constatação de perigo — declarou o presidente, ao lado do chefe da EPA, Lee Zeldin. Trump, conhecido por defender abertamente o petróleo, o gás e o carvão, voltou a atacar políticas ambientais, que chama de “Nova Fraude Verde”.
Durante a campanha, repetia o bordão “perfurar, perfurar, perfurar” e, após assumir o cargo, eliminou incentivos para carros elétricos e anunciou planos para liberar áreas antes protegidas para exploração.
Grupos conservadores celebraram a medida, que já fazia parte do chamado Projeto 2025, um plano de governo defendido por aliados do presidente. Para eles, a decisão representa uma vitória contra o que consideram “excesso de regulamentação”.
Especialistas e organizações ambientais reagiram com dureza. Segundo o Environmental Defense Fund (EDF), o fim da regra pode resultar em mais de 18 bilhões de toneladas extras de emissões até 2055.
De acordo com estimativas da entidade, isso pode provocar, nas próximas décadas:
-até 58 mil mortes prematuras
-cerca de 37 milhões de ataques de asma
-agravamento de incêndios florestais, tempestades e enchentes
-impactos diretos na agricultura
O EDF também aponta que desastres climáticos já causaram mais de US$ 3 trilhões em prejuízos nos EUA desde 1980. Fred Krupp, presidente da organização, afirmou que a decisão “coloca em risco a saúde e a segurança da população americana”.
Como em outras decisões controversas do governo Trump, a expectativa é de uma longa batalha judicial. Grupos ambientalistas e políticos da oposição prometem acionar os tribunais para tentar derrubar a revogação.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou a medida como ilegal e acusou o governo federal de se curvar à indústria petrolífera. “O governo Trump está alegando falsamente que os gases de efeito estufa não representam ameaça à saúde pública. A Califórnia vai lutar contra isso nos tribunais”, escreveu Newsom nas redes sociais.
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Enquanto isso, ambientalistas alertam: a decisão pode colocar os Estados Unidos ainda mais distante das metas globais de combate às mudanças climáticas — com reflexos diretos na vida de milhões de pessoas.