Esquema inusitado incluía telefonemas a eleitores simulando uma pesquisa eleitoral para confirmação do voto no nome do deputado
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, manter a cassação do mandato do deputado estadual Renan Bekel, acusado de compra de votos nas eleições de 2018. A Corte rejeitou o recurso apresentado pela defesa e confirmou a decisão já tomada anteriormente pela Justiça Eleitoral em Roraima.
Além da perda do mandato, os ministros também mantiveram a aplicação de multa ao parlamentar, fixada em cerca de R$ 53 mil (ou 50 mil UFIRs), reforçando o entendimento de que houve irregularidades graves durante a campanha eleitoral.
De acordo com as investigações, o esquema envolvia pagamento sistemático a cabos eleitorais e eleitores em troca de votos. A estrutura funcionava com uma hierarquia organizada, na qual líderes recebiam valores para recrutar votantes, que também eram remunerados para apoiar o candidato.
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As apurações revelaram ainda que havia um controle detalhado dos eleitores, incluindo listas e até ligações telefônicas simulando pesquisas eleitorais para confirmar a intenção de voto antes da entrega do dinheiro.
Para o relator do caso, ministro Villas Bôas Cueva, o conjunto de provas — que inclui documentos, mensagens e interceptações telefônicas — demonstrou de forma clara a existência de um esquema estruturado de captação ilícita de votos, comprometendo a lisura do processo eleitoral.
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Com a decisão definitiva do TSE, o deputado perde o cargo e não há mais possibilidade de reversão na Justiça Eleitoral. O caso reforça o rigor da legislação brasileira no combate à compra de votos, considerada crime grave por afetar diretamente a legitimidade das eleições.