Pesquisa liderada por brasileiro mostra que substância vista como protetora pode ser usada pelo câncer como combustível; bloquear esse processo fez tumores crescerem mais lentamente.
Pesquisadores descobriram que o antioxidante natural glutationa, que normalmente ajuda a proteger células saudáveis contra danos, pode ser utilizado de forma paradoxal por alguns tumores como uma fonte de “combustível” metabólico para crescer e se multiplicar. Nessa situação, o próprio organismo produz algo que favorece, em vez de inibir, o desenvolvimento do câncer.
No ambiente tumoral, uma enzima quebra a glutationa em componentes menores, liberando aminoácidos que são diretamente usados pelo metabolismo das células cancerosas, promovendo seu crescimento. Um desses componentes, a cisteína, se destacou como especialmente importante para essa alimentação aberrante dos tumores.
A pesquisa, que envolveu modelos de câncer com participação de cientistas brasileiros, mostrou que bloquear a capacidade dos tumores de usar a glutationa desacelera o crescimento das células tumorais, indicando que essa rota metabólica pode ser uma nova possível estratégia terapêutica no combate ao câncer.
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Esse achado desafia a visão tradicional de que antioxidantes são sempre benéficos e sugere que, em certos contextos tumorais, eles podem ser “sequestrados” para alimentar processos malignos, o que abre portas para tratamentos que interfiram nesse uso indevido pela doença.
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Os cientistas avaliam que entender melhor como o câncer usa substâncias normalmente protetoras no corpo pode levar a formas mais eficazes de bloquear seu crescimento e desenvolver terapias mais precisas no futuro.