Inaugurada em 2007, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a TV Brasil surgiu com a missão de fortalecer a comunicação pública no país. Desde então, no entanto, a emissora sempre esteve no centro de críticas, principalmente pelo alto custo aos cofres federais e pela baixa audiência quando comparada às grandes redes comerciais.
Quase duas décadas depois, o canal volta a chamar atenção ao apostar em uma estratégia já conhecida da televisão aberta: a contratação de nomes consagrados do jornalismo para tentar melhorar seu desempenho no Ibope e ampliar sua relevância nacional.
Referência no jornalismo esportivo, com passagens por Globo e RedeTV, Juca Kfouri estreia nesta segunda-feira (26) o programa “Trio de Ataque”, ao lado de José Trajano e Lúcio de Castro. A atração terá foco em análises aprofundadas sobre esporte e seus desdobramentos políticos e sociais.
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Outro reforço é a jornalista Cristina Serra, ex-repórter da Globo em Brasília e ex-correspondente em Nova York, que passa a comandar o “Brasil no Mundo”, voltado à política internacional e temas globais.
Dispensado pela Globo em 2023, Marcelo Canella também acertou com a TV Brasil. Segundo o jornal O Globo, ele apresentará um programa em formato semelhante ao do “Roda Viva”, da TV Cultura, com estreia prevista para março.
Quem também está em clima de estreia é José Luiz Datena. Após pedir demissão da RedeTV, o jornalista será âncora de um talk show a partir de fevereiro. O primeiro entrevistado deve ser o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A nova estratégia da direção da TV Brasil sinaliza uma mudança clara de posicionamento editorial. Se por anos a emissora foi acusada de dialogar apenas com nichos específicos, agora demonstra intenção de disputar atenção em um público mais amplo, apostando na popularidade e na credibilidade de apresentadores conhecidos para alavancar audiência.
O movimento, porém, ocorre em um contexto político sensível. Durante a campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro prometeu extinguir a TV Brasil, alegando que a emissora era desnecessária e onerosa. Já no exercício da Presidência, o discurso mudou: o canal foi mantido e transmitiu diversos eventos com a presença do então presidente.
Agora, a reformulação da TV Brasil volta a gerar desconfiança. O fato de as mudanças — que envolvem altos gastos com contratações — ocorrerem em ano eleitoral levanta questionamentos sobre um possível uso político da emissora, financiada com recursos públicos.
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Críticos alertam para o risco de utilização indireta da máquina pública para fortalecimento de narrativas políticas, mesmo que os programas tenham caráter jornalístico. Já os defensores da reformulação argumentam que uma televisão pública forte precisa alcançar o maior número possível de cidadãos e que a chegada de jornalistas renomados contribui para a credibilidade e visibilidade do canal.