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Ucrânia lança ataque massivo com drones contra a Rússia em meio a tensão com Trump
Foto: Divulgação

Ofensiva atingiu terminal petrolífero e centro logístico em São Petersburgo; Moscou afirma ter abatido mais de mil drones, enquanto Zelensky acusa o governo russo de manter ataques contra a infraestrutura energética ucraniana

A Ucrânia realizou, na noite de sábado (17/10), um dos maiores ataques com drones contra o território russo neste ano. A ofensiva atingiu instalações estratégicas, incluindo um importante terminal petrolífero em São Petersburgo, em um momento de crescente tensão entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

 

A operação ocorreu após Trump exigir que Kiev interrompesse os ataques contra a infraestrutura energética russa. A escalada das tensões entre os governos de Washington e Kiev aumenta a preocupação das autoridades ucranianas com a possibilidade de redução do apoio norte-americano, especialmente diante da aproximação de mais um inverno sob ataques russos.

 

O Ministério da Defesa da Rússia informou ter abatido 1.015 drones ucranianos durante a madrugada, em diferentes regiões do país. Entre os locais atingidos estaria o Terminal Petrolífero de São Petersburgo, que tem capacidade para movimentar até 12,5 milhões de toneladas de petróleo por ano.

 

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A empresa ucraniana Fire Point, fabricante dos drones utilizados na operação, relatou um incêndio nas instalações do terminal após o ataque. Um centro logístico da empresa russa de distribuição Ozon também foi atingido, segundo informações divulgadas pela companhia.

 

De acordo com as autoridades locais, os ataques deixaram uma pessoa morta e cinco feridas, além de provocarem danos em residências. As informações sobre a extensão dos prejuízos ainda dependem de avaliações das autoridades russas.

 

RELAÇÃO ENTRE ZELENSKY E TRUMP SE DETERIORA

 

A ofensiva ucraniana ocorre em meio ao desgaste das relações entre Zelensky e Trump. Na semana anterior, o presidente norte-americano classificou como uma “vergonha” os ataques de Kiev contra refinarias de petróleo russas.

 

Trump também afirmou que Rússia e Ucrânia haviam concordado em suspender os ataques contra a infraestrutura energética uma da outra. A iniciativa estaria relacionada, entre outros fatores, à tentativa de reduzir pressões sobre os preços internacionais do petróleo e do diesel antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

 

Entretanto, nem o governo ucraniano nem o russo confirmaram oficialmente a existência de um acordo com esses termos.

 

A Ucrânia chegou a interromper temporariamente os ataques contra instalações energéticas russas, mas posteriormente retomou as operações. Kiev afirma que Moscou, por sua vez, continuou atacando a infraestrutura energética e cidades ucranianas.

 

Em publicação na rede social X, neste domingo (18/10), Zelensky declarou que a Rússia realizou 76 ataques contra os setores de energia, petróleo e gás da Ucrânia desde o anúncio de uma possível trégua energética pelo presidente norte-americano.

 

“O presidente americano deveria perceber que a Rússia não está adotando nenhuma medida recíproca em resposta ao alívio de sanções ou a acordos”, afirmou Zelensky. Segundo ele, Moscou interpreta as oportunidades econômicas como um sinal de que sua estratégia militar está produzindo resultados.

 

ATAQUES RUSSOS DEIXAM MORTOS E FERIDOS NA UCRÂNIA

 

Enquanto a Ucrânia intensifica suas operações em território russo, os ataques de Moscou também continuam provocando vítimas. Segundo autoridades ucranianas, 11 pessoas morreram e quase 50 ficaram feridas em ataques russos com mísseis e drones nas 24 horas anteriores à manhã de domingo.

 

Entre os alvos atingidos estavam instalações de energia na região de Odessa, no sul da Ucrânia. As autoridades ucranianas classificaram a ofensiva como um ataque de grande escala contra estruturas estratégicas.

 

A situação se agrava em meio às decisões recentes do governo Trump sobre as sanções econômicas impostas à Rússia. O presidente norte-americano suspendeu determinadas restrições relacionadas à importação de diesel russo e, na sexta-feira (16/10), recorreu a uma autorização especial para isentar o país de amplas penalidades econômicas estabelecidas pelo Congresso dos Estados Unidos.

 

As medidas provocaram críticas, inclusive entre integrantes do Partido Republicano.

 

RESTRIÇÕES AO STARLINK PREOCUPAM GOVERNO UCRANIANO

 

Outro ponto de tensão envolve o acesso das forças ucranianas ao sistema de comunicação por satélite Starlink, utilizado para orientar drones e apoiar operações militares.

 

No sábado (17/10), Zelensky afirmou que as restrições ao serviço estavam afetando o funcionamento de equipamentos utilizados pelas forças de defesa. Segundo ele, drones que ultrapassam a velocidade de aproximadamente 161 quilômetros por hora perdem a conexão com o sistema.

 

O presidente também declarou que as limitações dificultam o emprego do Starlink e do Starshield, serviço desenvolvido para atender a necessidades governamentais e de segurança nacional, em operações contra drones russos do tipo Shahed, incluindo modelos movidos a jato.

 

Zelensky afirmou que as restrições estão em vigor em território ucraniano, mas não se aplicam da mesma forma dentro da União Europeia. Na avaliação do presidente, a situação prejudica a capacidade de defesa do país.

 

A administração Trump, por sua vez, nega que esteja restringindo o serviço de maneira deliberada contra a Ucrânia.

 

Kiev também informou, na semana anterior, que passou a enfrentar ataques com mísseis balísticos russos sem receber alertas prévios de seus aliados. As redes de satélites dos Estados Unidos têm desempenhado papel importante no fornecimento de informações sobre a aproximação de mísseis.

 

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Com os ataques de ambos os lados e as divergências sobre sanções, infraestrutura energética e apoio militar, a guerra continua pressionando as relações diplomáticas entre Ucrânia e Estados Unidos, enquanto as autoridades ucranianas tentam manter sua capacidade de defesa diante das ofensivas russas. 

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