Território no extremo Norte de Roraima teve menor nota do país em índice que avalia cidades. Moradores enfrentam estradas precárias e falta de serviços básicos, mas defendem o lugar
Localizado no extremo Norte de Roraima, na fronteira com a Guiana e próximo à Venezuela, o município de Uiramutã voltou a aparecer no último lugar do ranking nacional de qualidade de vida divulgado pelo Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026. A cidade recebeu nota 42,44 em uma escala que vai de 0 a 100.
Com cerca de 15 mil habitantes, Uiramutã possui uma das maiores proporções de população indígena do país e grande parte de seu território está localizada dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Apesar das paisagens naturais e da forte presença cultural indígena, moradores convivem diariamente com dificuldades relacionadas ao acesso à saúde, educação, saneamento básico, moradia e comunicação. Os indicadores ligados às necessidades humanas básicas e ao bem-estar estão entre os piores do Brasil.
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Segundo o levantamento, um dos principais problemas está na infraestrutura habitacional. Muitas residências ainda enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso à energia elétrica adequada e condições básicas de moradia. O município também registra índices muito baixos em acesso à informação, internet e telefonia móvel.
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A educação é outro desafio. O acesso ao ensino superior aparece entre os piores do país, refletindo dificuldades históricas enfrentadas por estudantes da região. Os indicadores ligados ao desempenho educacional e à qualificação profissional também apresentam resultados considerados críticos.
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Fotos: João Gabriel Leitão
O isolamento geográfico contribui para parte dos problemas. Muitas comunidades ficam distantes da sede municipal e dependem de longos deslocamentos por estradas de difícil acesso ou transporte aéreo para chegar a serviços essenciais.
A prefeitura de Uiramutã afirma que os números refletem uma carência histórica de investimentos em infraestrutura, saneamento, habitação e serviços públicos. O governo de Roraima também reconheceu que municípios isolados da região enfrentam desafios estruturais que dificultam avanços mais rápidos nos indicadores sociais.
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Esta é a terceira vez consecutiva que Uiramutã aparece na última posição do ranking nacional elaborado pelo IPS, estudo que avalia os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais.