Levantamentos mostram queda de 61% nos tiroteios e de 60% no número de operações policiais em períodos comparáveis; dados do ISP apontam mostram redução de homicídios e de letalidade violenta nas áreas analisadas
Um ano após a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, os desdobramentos da ação ainda levantam questionamentos. A operação, realizada em 28 de outubro de 2025, deixou 122 mortos, incluindo cinco agentes de segurança, e entrou para a história como uma das ações policiais mais letais do país.
Mesmo com a mobilização de cerca de 2,5 mil policiais civis e militares, 33 dos alvos com mandados de prisão continuam foragidos. Entre eles estão nomes apontados pelas autoridades como lideranças do Comando Vermelho, que, segundo informações divulgadas, ainda estariam na região.
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INVESTIGAÇÕES AINDA NÃO FORAM CONCLUÍDAS
O Ministério Público do Rio de Janeiro continua apurando as circunstâncias das mortes e a possível responsabilidade dos envolvidos. A investigação reúne milhares de horas de gravações de câmeras corporais, laudos periciais e depoimentos de policiais, presos e familiares das vítimas. Até o momento, não há conclusão definitiva sobre todos os casos.
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Relatos de moradores e familiares levantaram suspeitas de tortura e possíveis execuções. O Ministério Público também analisa ocorrências consideradas atípicas, incluindo uma morte por disparos a curta distância e um caso de decapitação. As circunstâncias permanecem sob investigação, sem conclusão definitiva sobre esses episódios.
TIROTEIOS DIMINUÍRAM, MAS EFEITOS SÃO QUESTIONADOS
Levantamento do Instituto Fogo Cruzado identificou redução de 61% nos registros de tiroteios nos complexos da Penha e do Alemão, na comparação entre os períodos analisados antes e depois da operação. Dados do Instituto de Segurança Pública também apontaram queda de 23% na letalidade violenta em uma área mais ampla, que inclui bairros próximos às comunidades.
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Foto: Jose Lucena/TheNewsS2/Estadão Conteúdo
Apesar dos números, especialistas alertam que a redução dos indicadores não comprova, por si só, que a operação tenha enfraquecido a facção criminosa ou alterado o controle territorial. Os impactos da violência também continuam presentes na rotina dos moradores: no Complexo do Alemão, aumentou o número de escolas municipais que precisaram fechar ao menos uma vez devido a operações ou confrontos, passando de 25 para 29 unidades nos períodos comparados.
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A um ano da ação, o caso permanece no centro do debate sobre segurança pública, uso da força policial e proteção dos moradores de comunidades. A conclusão das investigações será fundamental para esclarecer as circunstâncias das mortes, identificar eventuais responsabilidades e avaliar os resultados da operação para além dos números de prisões e apreensões.