Decisão da UE envolve regras sanitárias sobre antimicrobianos e pode afetar bilhões em exportações brasileiras.
A decisão da União Europeia (UE) de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco gerou forte reação no governo brasileiro e preocupação no setor do agronegócio.
A medida, oficializada pela Comissão Europeia na sexta-feira (5/6), pode impactar a exportação de carne bovina, carne de frango, carne equina, pescado, mel e tripas a partir de setembro de 2026.
Segundo o bloco europeu, a decisão está relacionada ao cumprimento das normas sanitárias que regulam o uso de antimicrobianos na produção animal.
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REGRAS SANITÁRIAS MAIS RÍGIDAS
A União Europeia mantém uma legislação rigorosa que proíbe a importação de produtos provenientes de sistemas produtivos que utilizem determinados antimicrobianos com o objetivo de acelerar o crescimento dos animais ou aumentar a produtividade.
Esses medicamentos têm uso veterinário legítimo, mas o uso indiscriminado é associado ao aumento da resistência bacteriana, considerada um dos principais desafios globais de saúde pública.
As exigências estão previstas no Regulamento Europeu 2019/6 e no Regulamento Delegado 2023/905, que definem critérios para a habilitação de países exportadores.
POR QUE O BRASIL FOI EXCLUÍDO
No documento publicado, a Comissão Europeia afirma que não recebeu garantias suficientes de que o Brasil estaria em conformidade com todas as exigências sanitárias dentro do prazo estabelecido.
Por isso, o país foi retirado da lista de nações autorizadas a exportar os produtos afetados para os 27 países do bloco.
Com a decisão, o Brasil deixa de ter habilitação automática para vender essas categorias ao mercado europeu, o que pode gerar impacto significativo no comércio exterior.
MERCOSUL NÃO FOI AFETADO DA MESMA FORMA
Apesar da medida contra o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia, por já atenderem às exigências do bloco.
A diferença chamou atenção do governo brasileiro, especialmente em meio à recente implementação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
GOVERNO AFIRMA SURPRESA
Integrantes do governo federal afirmam ter sido surpreendidos com a decisão e alegam que todas as informações sanitárias solicitadas foram enviadas ainda em 2025 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Segundo a versão oficial, não houve comunicação prévia sobre possíveis falhas nos dados apresentados.
IMPACTO ECONÔMICO E PRÓXIMOS PASSOS
O setor produtivo avalia que a restrição pode gerar perdas bilionárias em exportações, caso não seja revertida antes da entrada em vigor da medida.
O governo brasileiro agora tenta reverter a decisão e recuperar a habilitação antes de setembro de 2026, prazo em que as novas regras passam a valer de forma definitiva.
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