Estudo aponta crescimento acelerado de conteúdos falsos e riscos para processos democráticos
O avanço das ferramentas de inteligência artificial tem ampliado significativamente a disseminação de desinformação em escala global, segundo levantamento recente da Agência Lupa. A pesquisa, que analisou 1.294 checagens em diferentes idiomas, revela que mais de 80% dos casos envolvendo conteúdos manipulados por IA surgiram apenas nos últimos dois anos.
O estudo, intitulado “O impacto da IA no Fact-checking Global”, mostra que temas como eleições, conflitos armados e golpes estão entre os mais explorados por conteúdos falsos. A facilidade em criar vídeos, áudios e imagens altamente realistas tem tornado cada vez mais difícil distinguir o que é verdadeiro do que foi manipulado.
De acordo com a pesquisadora Cristina Tardáguila, a inteligência artificial está transformando o cenário da desinformação. Segundo ela, a maioria dos materiais analisados por checadores acaba sendo classificada como falsa ou enganosa, evidenciando o uso recorrente da tecnologia para distorcer fatos.
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Outro ponto de atenção é a diversidade de formatos utilizados. Além dos tradicionais vídeos, conteúdos manipulados circulam em áudios curtos, imagens e textos, ampliando o alcance e a velocidade de propagação. O fenômeno preocupa especialmente em anos eleitorais, quando a circulação de informações falsas pode impactar diretamente o debate público.
Os dados também mostram um crescimento expressivo no número de casos identificados: de 160 registros em 2023 para 578 em 2025. Apenas nos primeiros meses de 2026, já foram contabilizadas mais de 200 ocorrências. Em termos linguísticos, o inglês lidera com maior volume de conteúdos falsos, seguido pelo espanhol e pelo português.
Diante desse cenário, especialistas defendem o fortalecimento da educação midiática como principal ferramenta de combate à desinformação. A proposta é capacitar a população para identificar conteúdos suspeitos e desenvolver senso crítico diante das informações consumidas no ambiente digital.
A recomendação é que iniciativas educacionais sejam ampliadas, inclusive nas escolas, promovendo habilidades de interpretação e análise de conteúdo. Para os pesquisadores, essa conscientização funciona como uma “vacina” contra a desinformação, preparando a sociedade para lidar com os desafios trazidos pela inteligência artificial.
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Além do papel do poder público, veículos de comunicação e plataformas digitais também são apontados como fundamentais nesse processo, contribuindo com transparência, checagem rigorosa e disseminação de informação confiável.