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Vacina brasileira contra malária recebe autorização para testes em humanos após 15 anos de pesquisas
Foto: Divulgação

Imunizante desenvolvido pela UFMG, em parceria com pesquisadores da USP e o laboratório Cristália, será testado inicialmente em 48 voluntários; próximas etapas da pesquisa estão previstas para a Amazônia.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, uma vacina 100% brasileira desenvolvida para combater a malária. O imunizante foi criado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e do laboratório farmacêutico Cristália, após cerca de 15 anos de estudos em laboratório.

 

A autorização representa um avanço na busca por uma vacina contra a doença, especialmente no Brasil, onde a malária se concentra principalmente na região amazônica. O imunizante foi desenvolvido para combater o Plasmodium vivax, parasita responsável pela maior parte dos casos registrados no país.

 

Segundo Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas da UFMG, um dos diferenciais da vacina é a capacidade de incluir fragmentos de diferentes variantes do parasita. A estratégia busca ampliar a resposta imunológica contra o agente causador da doença.

 

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“Ela tem um diferencial: ela codifica pedaços das diferentes variantes do parasita. Então, ela não é uma vacina contra uma única variante”, explicou o pesquisador. Ele ressaltou, porém, que os resultados obtidos em laboratório ainda precisam ser confirmados nos testes com seres humanos.

 

A primeira etapa clínica contará com 48 voluntários, com idades entre 18 e 59 anos. O principal objetivo será avaliar a segurança da vacina e verificar como o sistema imunológico reage ao imunizante.

 

Os participantes serão divididos em dois grupos. Um receberá três doses da vacina, enquanto o outro receberá placebo, uma substância sem o princípio ativo, utilizada para comparação dos resultados. O acompanhamento será realizado durante um ano no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.

 

Caso os resultados sejam considerados satisfatórios, a pesquisa avançará para outras duas fases, que deverão envolver mais de 300 voluntários na Amazônia. Nessas etapas, os pesquisadores continuarão avaliando a segurança e a resposta imunológica, além de reunir dados necessários para determinar a eficácia do imunizante.

 

Se todas as fases apresentarem resultados positivos, os responsáveis pelo desenvolvimento poderão solicitar o registro da vacina à Anvisa. A expectativa dos cientistas é que, cumpridas as etapas de pesquisa e aprovação regulatória, o imunizante possa chegar aos postos de saúde em um prazo estimado de cinco a sete anos.

 

MALÁRIA PREOCUPA PRINCIPALMENTE A REGIÃO AMAZÔNICA

 

A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos principalmente pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. No Brasil, a transmissão ocorre predominantemente na região amazônica, onde as condições ambientais favorecem a circulação do parasita.

 

A doença pode provocar febre, cansaço, náuseas, dores de cabeça e no corpo, além de perda de apetite. Em alguns casos, também pode causar amarelamento da pele e dos olhos. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a infecção pode evoluir para formas graves, com anemia intensa, alterações de consciência e comprometimento de órgãos, como fígado e baço.

 

O desenvolvimento da Vivaxin busca ampliar as possibilidades de prevenção contra a doença. De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a iniciativa tem potencial para contribuir com o enfrentamento da malária em escala internacional.

 

Safatle destacou a importância do imunizante por ser uma proposta voltada ao tipo de malária predominante nas Américas. A avaliação sobre seu impacto, entretanto, dependerá dos resultados dos estudos clínicos e da comprovação de segurança e eficácia.

 

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A vacina ainda está em fase experimental e não está disponível para aplicação na população. Até que os estudos sejam concluídos e haja eventual aprovação regulatória, o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e as medidas de prevenção continuam sendo fundamentais para reduzir os casos e as complicações da doença. 

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