Alexandre Padilha afirmou que houve 42 episódios de reações mais severas registradas; duas mortes estão sob investigação
O Ministério da Saúde suspendeu a vacina contra a dengue do Instituto Butantan após 42 reações severas e duas mortes em investigação. O ministro Alexandre Padilha ressaltou a precaução como medida essencial. A Qdenga, vacina da Takeda, continua no SUS. Quem tomou o imunizante do Butantan deve monitorar sintomas. O Brasil lidera na vacinação pública contra a dengue, mas combate aos mosquitos ainda é vital.
O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram nesta segunda-feira a suspensão da aplicação e o recolhimento da vacina do Instituto Butantan contra a dengue. A decisão foi tomada após serem identificados 42 casos de 'reações mais severas', o que incluiu consequências que não haviam sido registradas nas pesquisas. O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou que duas mortes estão em investigação. A medida não atinge a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, que é aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS) e em laboratórios privados.
— Muitas vezes na área da saúde a precaução é a melhor medida. Em função disso nós estamos tomando uma decisão hoje, que será comunicada ainda hoje de descontinuar a atual estratégia de uso da vacina do Butantan — disse Padilha. — Dentro dos 42 casos, chegamos a ter duas situações de óbitos, em que não existem dados suficientes para estabelecer causalidade com a vacina.
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Padilha acrescentou que a vacina foi aplicada em 500 mil pessoas até o momento e que haverá uma reunião com gestores estaduais para apresentar todos os detalhes da medida. Ele orientou as pessoas que tomaram o imunizante nos últimos 21 dias a monitorar se surge algum sintoma.
A vacina foi aplicada em três cidades (duas em São Paulo e uma no Ceará) , em uma região do Tocantins e em profissionais de saúde.
— A gente reforça para as pessoas que elas estão protegidas. Os dados mostram que protege contra os quatro tipos de dengue. E vamos fazer uma menção especial a quem tenha tomado nos últimos 21 dias: ter um acompanhamento especial para identificar se acabam desencadeando ou não algum desses sinais de alerta, ou qualquer reação adversa, para que a gente possa registrar e agir da melhor forma possível — disse o ministro.
O ministério, da Anvisa e o Butantan estão analisando os detalhes dos 42 casos em que foram registradas reações mais severas para aprofundar a investigação e buscar os possíveis fatores de risco.
O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada em Brasília, com participação de representantes da pasta e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). novas medidas relacionadas à vacinação contra a dengue no país.
OUTRA VACINA CONTRA A DENGUE
A vacina Qdenga, que continua sendo aplicada normalmente, ficou disponível na rede privada no fim de 2023 e foi incorporado no SUS em fevereiro de 2024, inicialmente em municípios considerados prioritários devido à alta incidência da doença e à disponibilidade limitada de doses.
O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer uma vacina contra a dengue em um sistema público universal de saúde. Desde a incorporação do imunizante, o Ministério da Saúde tem ampliado gradualmente a estratégia de vacinação conforme a disponibilidade de doses.
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A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e continua sendo uma das principais arboviroses do país. Além da vacinação, autoridades de saúde reforçam que o combate aos criadouros do mosquito permanece como a principal medida de prevenção.