Pesquisa foi feita com pessoas com 60 anos ou mais e analisou riscos de doença isquêmica do coração, insuficiência cardíaca e AVC isquêmico
A vacina recombinante Shingrix, contra o herpes-zóster, foi associada a um menor risco de eventos cardiovasculares em pessoas com 60 anos ou mais. O resultado foi apontado por um estudo publicado nesta quarta-feira (26) na revista científica Nature Medicine.
A pesquisa acompanhou, durante sete anos, idosos nos Estados Unidos e comparou a ocorrência de doença isquêmica do coração, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico entre pessoas imunizadas com a vacina recombinante e aquelas que receberam a versão mais antiga do imunizante.
Os pesquisadores identificaram uma redução de 9% nos eventos cardiovasculares gerais entre os pacientes que receberam a Shingrix. O grupo também apresentou maior tempo sem diagnóstico de problemas cardíacos em comparação com os idosos imunizados com a vacina que utiliza vírus atenuado.
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Entre as condições analisadas, a doença isquêmica do coração teve redução de 10%, enquanto os casos de insuficiência cardíaca caíram 12%. Os resultados foram observados em homens e mulheres.
As duas vacinas avaliadas utilizam tecnologias diferentes. A versão mais antiga contém uma forma enfraquecida do vírus causador do herpes-zóster. Já a Shingrix é uma vacina recombinante, produzida por meio de engenharia genética e que utiliza uma proteína específica do vírus para estimular a resposta imunológica.
O herpes-zóster ocorre quando o vírus da catapora, que permanece no organismo após a infecção, volta a se ativar. A doença é mais comum em pessoas mais velhas e pode provocar complicações.
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo identificou uma associação, e não uma relação definitiva de causa e efeito. Por isso, ainda são necessários estudos clínicos controlados para confirmar se a vacina recombinante é responsável diretamente pela redução do risco cardiovascular.
Outro ponto observado foi que a associação parece diminuir com o passar do tempo. O efeito foi mais evidente durante a primeira metade do período de acompanhamento.
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Segundo o pesquisador Hugo Pedder, um ensaio clínico randomizado seria a melhor maneira de confirmar os possíveis benefícios cardiovasculares da vacina. Enquanto isso, o estudo fornece evidências observacionais sobre a relação entre a imunização contra o herpes-zóster e a saúde cardiovascular.