Igreja pede que instituições abandonem setor minerador e priorizem práticas sustentáveis
O Vaticano lançou nesta sexta-feira uma nova iniciativa que incentiva instituições católicas a retirarem investimentos do setor de mineração, destacando preocupações com impactos sociais e ambientais associados à atividade.
A chamada “Plataforma de Desinvestimento em Mineração” propõe que organizações ligadas à Igreja redirecionem recursos para áreas consideradas mais éticas e sustentáveis. O movimento tem como base a atuação da rede Igrejas e Mineração da América Latina, que desde 2013 denuncia violações e conflitos relacionados à expansão da atividade mineradora.
Durante o anúncio, o cardeal Fabio Baggio afirmou que a exploração mineral tem provocado tensões sociais e danos ambientais em diversas regiões do mundo, reforçando a necessidade de mudança de postura por parte das instituições.
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O bispo brasileiro Vicente Ferreira também destacou o aumento da demanda por minerais impulsionado pelo avanço da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, que utiliza matérias-primas como o cobalto em larga escala. Segundo ele, empresas devem adotar práticas responsáveis tanto com o meio ambiente quanto com os trabalhadores.
Em declarações ao Vatican News, o religioso afirmou que manter vínculos com empreendimentos que causam danos ambientais e sociais contraria os princípios da Igreja, classificando essa prática como incompatível com a defesa dos mais vulneráveis.
A iniciativa segue a linha da encíclica Laudato Si', publicada em 2015 pelo Papa Francisco, que aborda a proteção do meio ambiente e o conceito de ecologia integral. Em anos recentes, o Vaticano já havia feito apelos semelhantes para o desinvestimento em setores como combustíveis fósseis e armamentos.
Representantes da Igreja também destacaram a importância de ouvir comunidades diretamente afetadas pela mineração, muitas delas localizadas na América do Sul, África e Ásia. O cardeal Álvaro Ramazzini citou casos de exploração de ouro na Guatemala, onde, segundo ele, os impactos negativos recaem sobre a população local, enquanto os lucros são destinados a países mais ricos.
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Para os líderes religiosos, a legalidade das atividades não garante justiça social, e é necessário repensar modelos econômicos que geram desigualdade e degradação ambiental.