Larissa Gomes afirma que caminhões e máquinas a serviço do município estariam despejando resíduos no Conjunto Dom Lopes, após incêndio no lixão de Iranduba.
A destinação de resíduos sólidos voltou a gerar críticas à administração do prefeito Augusto Ferraz, em Iranduba, no interior do Amazonas. Durante sessão da Câmara Municipal nesta semana, a vereadora Larissa Gomes denunciou um suposto descarte irregular de lixo no Conjunto Dom Lopes, em uma área de barranco próxima a residências.
Segundo a parlamentar, imagens e relatos apresentados durante o pronunciamento mostram caminhões e máquinas identificados como veículos a serviço da Prefeitura de Iranduba despejando resíduos e entulhos no local.
A denúncia ocorre poucas semanas depois de um incêndio de grandes proporções atingir o lixão a céu aberto do município, episódio que provocou novas cobranças sobre a política de resíduos sólidos adotada pela administração municipal.
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O Ministério Público do Amazonas instaurou uma Notícia de Fato para apurar as circunstâncias do incêndio e possíveis impactos ambientais e à saúde da população.
De acordo com os relatos apresentados pela vereadora, a quantidade de lixo depositada no Conjunto Dom Lopes teria aumentado depois do incêndio registrado no lixão.
Moradores demonstraram preocupação com a possibilidade de a área se transformar em um novo ponto de descarte irregular de resíduos.
“Querem criar outro lixão aqui. O mau cheiro já está tomando conta, assim como ratos e urubus”, relataram moradores, conforme informações apresentadas por Larissa Gomes durante a sessão.
A situação, segundo a vereadora, já havia sido levada à Câmara anteriormente. Em abril, Larissa apresentou um pedido de providências para que o setor responsável pela limpeza pública evitasse o descarte de resíduos sólidos em áreas de erosão do Conjunto Dom Lopes e Laranjal.
VEREADORA APONTA CONTRADIÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO
Durante o pronunciamento, Larissa Gomes também mostrou uma publicação atribuída à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Planejamento Urbano de Iranduba.
Na postagem, a Prefeitura informava que realizava ações de limpeza em áreas atingidas pelo descarte irregular de resíduos e entulhos. O município também orientava os moradores a não depositarem lixo em locais inadequados.
Segundo a vereadora, a publicação acabou sendo retirada das redes sociais.
Larissa questionou a diferença entre a orientação divulgada pela administração e o que, segundo ela, estaria ocorrendo no Conjunto Dom Lopes.
“Eles mostram como se estivessem fazendo um melhoramento, mas quem conhece o Dom Lopes sabe que está repleto de lixo que a própria prefeitura descarta”, afirmou.
“SERVIÇO DE PORCO”, AFIRMA PARLAMENTAR
Em seu discurso na Câmara, a vereadora classificou a situação como um “serviço de porco” e criticou a administração municipal pela condução da política de resíduos sólidos.
“A gente está vivendo no meio do lixo e a prefeitura não faz gestão de nada. Essa é a demonstração de que vivemos a falsa gestão de resíduos sólidos em Iranduba”, declarou Larissa.
A parlamentar também afirmou que parte dos resíduos estaria sendo retirada de serviços de limpeza realizados em ruas e residências do município e posteriormente levada para a área denunciada.
As acusações apresentadas pela vereadora e pelos moradores ainda dependem de apuração. Até o momento, não foram apresentados, no material divulgado, documentos que comprovem eventual autorização da Prefeitura para utilização do local como área de descarte.
INCÊNDIO NO LIXÃO AUMENTOU PRESSÃO SOBRE A PREFEITURA
A nova denúncia ocorre em meio a uma série de questionamentos relacionados à gestão dos resíduos em Iranduba.
Após o incêndio registrado no lixão em agosto, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou uma multa de R$ 2,505 milhões à Prefeitura. A penalidade está relacionada à poluição atmosférica provocada pela queima de resíduos.
O Ministério Público do Amazonas também informou que o município foi condenado, em 2023, a apresentar um cronograma para a construção de um aterro sanitário em local adequado. O processo, no entanto, ainda está em fase de recurso.
Com a nova denúncia levada à Câmara Municipal, a destinação dos resíduos volta ao centro das discussões políticas e ambientais de Iranduba, enquanto moradores cobram uma solução para o descarte de lixo próximo às áreas residenciais.
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