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Viagens corporativas ao exterior disparam e ampliam déficit nas contas externas
Foto: Reproduçao

Gastos de brasileiros com negócios fora do país crescem 50% em dez anos e refletem busca por novos mercados.

As despesas de brasileiros em viagens de negócios ao exterior aumentaram 50% entre 2016 e 2025, segundo dados do Banco Central do Brasil (BC). O volume saiu de US$ 4,01 bilhões em 2016 para US$ 6,04 bilhões no ano passado.

 

No sentido contrário, os gastos de estrangeiros no Brasil em viagens corporativas praticamente não variaram no mesmo período. Passaram de US$ 1,52 bilhão para US$ 1,57 bilhão crescimento de apenas 3,29%. Como resultado, o déficit nessa conta aumentou 79%: de US$ 2,49 bilhões, em 2016, para US$ 4,46 bilhões em 2025.

 

As viagens de negócios foram fortemente afetadas pela pandemia de Covid-19. Em 2020, os gastos de brasileiros no exterior caíram para US$ 1,43 bilhão, mantendo-se em patamar semelhante em 2021 (US$ 1,39 bilhão). A recuperação começou em 2022, quando as despesas voltaram a crescer e atingiram US$ 3,58 bilhões, retomando a trajetória de alta nos anos seguintes.

 

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Para Jarbas Thaunahy, professor de finanças da Strong Business School, parte desse avanço está ligada à estratégia de ampliar parcerias comerciais internacionais.

 

Segundo ele, apesar da consolidação das reuniões virtuais, encontros presenciais seguem sendo decisivos em negociações estratégicas, além da retomada de feiras e rodadas de negócios internacionais.

 

Os números do turismo pessoal ampliaram ainda mais o impacto nas contas externas. Em 2025, brasileiros gastaram US$ 15,7 bilhões em viagens de lazer no exterior. Já os estrangeiros deixaram US$ 6,3 bilhões no Brasil, gerando déficit de US$ 9,4 bilhões nessa categoria.

 

Entre 2016 e 2025, o saldo negativo com viagens pessoais passou de US$ 5,98 bilhões para US$ 9,39 bilhões alta de 57%. Esses dados contribuíram para que o déficit em transações correntes do país atingisse US$ 68,8 bilhões em 2025, o maior dos últimos 11 anos.

 

O movimento de intensificação das viagens corporativas ocorre em meio à busca por diversificação de parceiros comerciais. O professor destaca que as negociações envolvendo o acordo entre Mercosul e União Europeia já vinham sendo articuladas nos bastidores, influenciando a agenda empresarial brasileira.

 

Diante da política tarifária adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo brasileiro também intensificou aproximações com mercados asiáticos.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em maio de 2025, da cúpula China-Celac na China, reforçando laços comerciais. Agora, prepara missão oficial à Índia, onde se encontrará com o primeiro-ministro Narendra Modi.

 

A comitiva contará com cerca de 200 empresários credenciados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), que participarão de agendas corporativas com foco na abertura de novos negócios.

 

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O cenário indica que a expansão das viagens internacionais de negócios está diretamente ligada à estratégia de inserção comercial do Brasil em novos mercados ainda que isso represente maior pressão sobre as contas externas no curto prazo. 

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