NOTÍCIAS
Ciência e Tecnologia
Vídeos com 'frutas protagonistas' viralizam e reacendem debate sobre mensagens nas redes
Foto: Divulgação

Conteúdos curtos e aparentemente leves escondem narrativas que podem reforçar padrões sociais problemáticos.

As chamadas “micronovelas” protagonizadas por frutas e objetos têm ganhado popularidade nas redes sociais, chamando atenção não apenas pela criatividade, mas também pelas mensagens que carregam. Em vídeos curtos, histórias que parecem inofensivas como o relacionamento entre um morango e um abacate acabam retratando dinâmicas complexas, como conflitos emocionais, manipulação e até violência.

 

Embora o uso de metáforas não seja novidade presente há séculos na literatura, no teatro e no audiovisual, o diferencial está na forma como essas narrativas circulam hoje: rápidas, acessíveis e com grande alcance. Esse formato facilita a disseminação de conteúdos que, muitas vezes, não passam por reflexão crítica antes de serem consumidos e compartilhados.

 

O filósofo Platão já destacava o papel das histórias na formação da sociedade, defendendo que narrativas influenciam diretamente o comportamento coletivo. Séculos depois, o teórico cultural Stuart Hall reforçou essa ideia ao afirmar que toda mensagem carrega uma codificação ou seja, não é neutra, mas construída dentro de um contexto social e cultural.

 

Veja também 

 

Comandante da Artemis 2 diz que pousaria na Lua se tivesse um módulo

 

Nasa dá 'primeiro passo' para Artemis III rumo à Lua em 2027; entenda

 

No ambiente digital, esse processo ganha novas dimensões. Diferente dos meios tradicionais, que passaram por debates e ajustes ao longo do tempo, as redes sociais ainda operam com menos filtros e menor responsabilidade editorial. Isso permite que temas como machismo e violência simbólica reapareçam em formatos aparentemente leves, muitas vezes disfarçados de humor ou entretenimento.

 

O uso de personagens não humanos contribui para esse efeito. Ao substituir pessoas por frutas ou objetos, cria-se um distanciamento que reduz a resistência do público. Situações que seriam imediatamente questionadas em narrativas com personagens humanos acabam sendo aceitas com mais facilidade nesse contexto simbólico.

 

No entanto, esse distanciamento pode ter consequências. Ele abre espaço para a naturalização de comportamentos que já foram amplamente criticados em outros meios, como a culpabilização da vítima ou a normalização de relações abusivas.

 

Além disso, o próprio funcionamento das plataformas digitais incentiva a repetição desse tipo de conteúdo. Quanto maior o engajamento, maior a visibilidade o que cria um ciclo em que histórias semelhantes continuam sendo produzidas, independentemente de seu impacto social.

 

Isso não significa limitar a criatividade ou defender censura, mas sim incentivar uma leitura mais consciente do que é consumido. As redes sociais deixaram de ser apenas espaços de entretenimento e passaram a desempenhar um papel central na formação de valores, especialmente entre os mais jovens.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram 

 

No fim, essas histórias não são apenas sobre frutas ou personagens fictícios. Elas refletem, de forma simbólica, padrões sociais que ainda persistem e que merecem ser questionados, mesmo quando aparecem sob a aparência de algo leve e inofensivo. 

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.