Violências por terra representam a maioria dos registros de ocorrências no último ano; País teve 1.593 conflitos por terra, água e trabalho no ano passado
Um novo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) acendeu um alerta sobre o agravamento da violência no campo brasileiro. Embora o número total de conflitos tenha diminuído, os dados mostram que os episódios se tornaram mais graves e letais, com destaque para o aumento expressivo de assassinatos e a forte concentração desses crimes na região amazônica.
De acordo com o levantamento, o Brasil registrou 1.593 conflitos por terra, água e trabalho em 2025, uma queda de 28% em relação aos 2.207 casos contabilizados no ano anterior. Apesar da redução numérica, o cenário é considerado mais preocupante devido ao crescimento da violência extrema, evidenciado principalmente pela duplicação dos assassinatos no campo.
O número de mortes passou de 13 para 26 em apenas um ano, o que representa um aumento de 100%. Esse dado reforça a avaliação de especialistas de que, embora haja menos ocorrências registradas, os conflitos estão mais intensos e perigosos para trabalhadores rurais, indígenas, quilombolas e pequenos agricultores.
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A Amazônia aparece como o principal epicentro dessa violência. Mais da metade dos assassinatos registrados no país ocorreu na região, com cerca de 61% dos casos concentrados especialmente nos estados de Rondônia, Pará e Amazonas.
Segundo o relatório, essa escalada está diretamente ligada à disputa por território e recursos naturais. A expansão do agronegócio, o avanço do desmatamento, a mineração e outras atividades econômicas intensificam a pressão sobre áreas ocupadas por populações tradicionais, gerando conflitos que muitas vezes evoluem para ameaças, agressões físicas e, em casos extremos, homicídios.
Além dos assassinatos, o estudo também aponta outros tipos de violência recorrentes no campo, como invasões de terras, pistolagem, contaminação por agrotóxicos e exploração ilegal de recursos naturais. Esses fatores atingem principalmente povos indígenas, posseiros, quilombolas e trabalhadores sem-terra, considerados os grupos mais vulneráveis nesse cenário.
Outro ponto destacado é que a violência costuma seguir um padrão escalonado: começa com intimidações e ameaças, avança para conflitos diretos e pode culminar em mortes. Esse ciclo, segundo a CPT, reflete a ausência de políticas públicas eficazes e a fragilidade da presença do Estado em áreas rurais e remotas.
O relatório também chama atenção para o papel de agentes envolvidos nos conflitos. Fazendeiros, empresários, grileiros e até entes públicos aparecem entre os principais responsáveis pelas situações de violência, especialmente em disputas relacionadas à terra.
Diante desse cenário, especialistas defendem o fortalecimento da fiscalização, a regularização fundiária e a implementação de políticas de proteção para populações tradicionais como medidas essenciais para conter a escalada da violência.
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Mesmo com a redução no número total de conflitos, os dados deixam claro que o campo brasileiro enfrenta uma realidade cada vez mais perigosa, com a Amazônia ocupando papel central em uma crise que envolve disputas territoriais, interesses econômicos e violações de direitos humanos.