A violência psicológica contra a mulher pode provocar consequências que vão muito além do sofrimento emocional. Humilhações, ameaças, chantagens, controle, isolamento e desvalorização podem comprometer a autoestima, a sensação de segurança e, quando acontecem de forma prolongada, afetar também funções como memória, concentração, sono e percepção da dor.
O alerta é da psicóloga Dulciana de Souza Lima, da Hapvida. Segundo a especialista, a ausência de marcas físicas não significa que a vítima não esteja sofrendo consequências. O estado constante de medo e tensão pode manter o organismo em alerta diante de situações interpretadas como ameaças.
Esse estado de estresse prolongado pode provocar lapsos de memória, fadiga mental, dificuldade de concentração, confusão e problemas para tomar decisões. A vítima pode permanecer constantemente preocupada em identificar possíveis ameaças, prejudicando processos relacionados à atenção, planejamento, avaliação de alternativas e controle das emoções.
Veja também

Unidades Móveis de Saúde da Mulher levam atendimento a cinco pontos de Manaus
SUS já vacinou mais de 1 milhão de crianças com a Pneumo 20
Os efeitos também podem aparecer no corpo. Dores de cabeça, tensão muscular, alterações gastrointestinais, cansaço e dificuldades para dormir estão entre os sintomas que podem surgir. Ansiedade e crises de pânico também podem ocorrer quando a sensação de perigo permanece por longos períodos.
A percepção da dor também pode sofrer alterações. De acordo com Dulciana, a exposição contínua ao estresse pode aumentar a sensibilidade do sistema nervoso aos estímulos dolorosos. Por isso, sintomas físicos persistentes precisam ser investigados por profissionais de saúde e não devem ser automaticamente atribuídos a problemas emocionais.
POR QUE É TÃO DIFÍCIL ROMPER O CICLO?
Outro aspecto que chama atenção é a dificuldade que algumas vítimas encontram para reconhecer o abuso e deixar um relacionamento violento. Em muitos casos, os episódios de agressão psicológica são seguidos por pedidos de desculpas, demonstrações de carinho e promessas de mudança.
Essa alternância pode alimentar a esperança de que o comportamento do agressor será diferente. O sentimento de culpa e a sensação de não ter alternativas também podem dificultar a busca por ajuda.
Para a psicóloga, essa dificuldade não deve ser interpretada como falta de força ou vontade. Trata-se de um processo psicológico complexo que envolve emoções, pensamentos e comportamentos.
Quando o sofrimento começa a prejudicar a rotina, os relacionamentos, o sono ou a capacidade de tomar decisões, a recomendação é procurar ajuda profissional. O acompanhamento pode envolver psicólogo, psiquiatra e outros profissionais, conforme a necessidade de cada caso.
FAMÍLIA E AMIGOS DEVEM FICAR ATENTOS
Pessoas próximas também podem perceber mudanças no comportamento da vítima. Isolamento, medo excessivo, baixa autoestima, alterações de comportamento e necessidade constante de aprovação ou permissão do parceiro estão entre os sinais que merecem atenção.
Nessas situações, familiares e amigos devem oferecer acolhimento e evitar pressionar a mulher a tomar uma decisão para a qual ainda não esteja preparada. Questionamentos como “por que você não termina?” podem aumentar o sentimento de culpa e dificultar a procura por ajuda.
Uma rede de apoio pode começar com uma atitude simples: ouvir sem julgar e deixar claro que a vítima não é responsável pela violência que sofreu.
“Estou aqui para você. A culpa não é sua e você não está sozinha” são exemplos de frases que podem ajudar a fortalecer a confiança e facilitar a busca por suporte.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
A violência psicológica, portanto, não deve ser tratada apenas como um problema de relacionamento. Como destaca a especialista, trata-se também de uma questão de saúde, capaz de produzir impactos importantes tanto no bem-estar emocional quanto no funcionamento físico do organismo.