Pesquisa realizada em parceria entre universidades inglesa e brasileira alerta para o risco de transmissão de doenças humanas a primatas
Pesquisadores identificaram pela primeira vez a presença do vírus da hepatite B humana (HBV) em primatas selvagens da Amazônia brasileira. A descoberta acendeu um alerta entre especialistas, que temem os impactos da transmissão de doenças humanas para animais silvestres.
O estudo analisou 88 primatas de 28 espécies diferentes em áreas da Amazônia. Os resultados mostraram que 17 dos 49 animais examinados em regiões com forte presença humana estavam infectados pelo vírus. Já em áreas mais preservadas e afastadas da atividade humana, nenhum caso foi registrado.
Os cientistas acreditam que o avanço do desmatamento e a aproximação cada vez maior entre humanos e animais selvagens estejam facilitando a transmissão da doença. A pesquisa apontou que quanto maior a densidade populacional humana em determinada região, maior a probabilidade de infecção entre os primatas.
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A análise genética revelou que os vírus encontrados nos macacos pertencem aos mesmos genótipos que circulam entre pessoas na região amazônica. Isso reforça a hipótese de que a transmissão ocorreu de humanos para os animais, fenômeno conhecido como zooantroponose.
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Especialistas afirmam que ainda é necessário investigar como ocorreu a infecção e quais são os impactos da hepatite B na saúde dos primatas. Para os pesquisadores, a descoberta demonstra como a degradação ambiental pode afetar não apenas a biodiversidade, mas também favorecer a circulação de doenças entre diferentes espécies.