O consumo de café é comumente associado ao combate à sonolência. No entanto, algumas pessoas não experimentam esses efeitos
Para muitas pessoas, o café é a bebida que as prepara para o dia. Também é comum acreditar que essa bebida ajuda a aumentar a energia e a manter o estado de alerta, o que muitos usam como justificativa para consumi-la frequentemente ao longo do dia. No entanto, para muitas pessoas, o café não contribui para esse aumento de estado de alerta, e alguns especialistas apontaram os motivos.
Vicente Clemente, professor de Nutrição da Universidade Europeia, esclarece que a sensação de que o café não lhes faz efeito geralmente se deve a uma menor sensibilidade fisiológica à cafeína, o que implica que seus sistemas nervoso e cardiovascular não respondem intensamente a essa substância.
Ele salienta que isso ocorre porque pode ser devido a uma maior eficiência no metabolismo hepático (a cafeína é eliminada mais rapidamente) ou a uma adaptação gradual após o consumo frequente. Ocasionalmente, as pessoas de fato experimentam os efeitos da cafeína, mas não os percebem subjetivamente como uma alteração marcante em seus corpos.
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FATORES QUE AFETAM O EFEITO DO CAFÉ
O nutricionista explica que os fatores que influenciam a sensibilidade à cafeína estão relacionados à genética, pois existem variantes como o gene CYP1A2, que codifica uma enzima fundamental no metabolismo da cafeína pelo fígado. Ele observou que algumas pessoas possuem uma versão "rápida" desse gene, o que lhes permite metabolizar a cafeína com mais eficiência, enquanto outras possuem uma versão "lenta".
A idade e o sexo também desempenham um papel importante. O metabolismo da cafeína tende a ser mais lento em mulheres grávidas, adolescentes e idosos. Além disso, o estado de saúde e o uso de medicamentos são outros fatores essenciais que influenciam os efeitos do café no organismo.
POR QUANTO TEMPO A CAFEÍNA PERMANECE NO CORPO?
Clemente também explicou que uma vez ingerida, a cafeína é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal e atinge o pico de concentração sanguínea entre 30 e 60 minutos.
"Seu metabolismo ocorre principalmente no fígado, por meio da enzima CYP1A2, que a transforma em metabólitos ativos”, observa ele.
Ele enfatiza que a meia-vida dessa substância no organismo varia entre 3 e 7 horas em adultos saudáveis. No entanto, esse intervalo, segundo ele, pode ser estendido dependendo dos fatores que mencionou anteriormente.
Por outro lado, Marilyn Cornelis, professora associada de Nutrição da Universidade Northwestern em Chicago, disse à BBC News que esse processo de limpeza pode levar de seis a vinte horas, dependendo da pessoa.
“É possível tomar uma primeira xícara de café e talvez não sentir nenhum efeito. Duas ou três horas depois, a cafeína ainda está presente no corpo e, se você tomar uma segunda xícara, isso pode ser suficiente para desequilibrar a balança e começar a se sentir um pouco ansioso”, afirma.
INTOLERÂNCIA À CAFEÍNA
O consumo regular dessa substância pode, de fato, levar à tolerância fisiológica. Segundo Vicente Clemente, isso significa que o corpo adapta seus receptores e vias neurais à presença constante dessa substância, esclarecendo que, com o tempo, doses maiores seriam necessárias para alcançar os efeitos estimulantes associados ao café.
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Ele esclarece que uma pessoa pode deixar de sentir nervosismo (ao consumir café), mas ainda assim notar melhorias na atenção ou na concentração. Portanto, a tolerância à substância não significa que não haja efeitos no organismo.