Segundo o funcionário, os procedimentos não foram revistos após o acidente, ao contrário
Na edição deste domingo do Fantástico, um mecânico da empresa, que não foi identificado, relatou problemas de manutenção na aeronave do acidente, descrita como a que “sempre dava problemas”, como panes, e que os superiores mandavam manter em operação. O caso é investigado pelo Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Segundo o funcionário, os procedimentos não foram revistos após o acidente, ao contrário. Ele relatou que quatro a cinco aviões sucateados, que ficavam parados em solo, em um terreno anexo ao aeroporto em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, eram canibalizados para fornecer peças de manutenção a aeronaves em operação. A prática de desmonte e reaproveitamento de peças não é um problema em si, mas, segundo o funcionário, ela era feita de forma irregular.
“A Voepass não dá suporte nenhum para a gente da manutenção. Não só de materiais, de componentes que vão ser postos nos aviões, colocados para manutenção, como ferramentas, tudo disse o funcionário ao programa, e acrescentou: “A manutenção sabia que o avião estava ruim, a manutenção reportava, falava, avisava, e eles [a cúpula da empresa] queriam obrigar a gente a botar o avião para voar”
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AVIÕES FADIGADOS
Arrendadores também acusam a empresa de retirar componentes essenciais das aeronaves alugadas à empresa. Em um pedido de reintegração de posse de dois modelos semelhantes ao que se acidentaram ao qual a reportagem do programa teve acesso, o dono afirma que a empresa agiu de má-fé ao desinstalar, inclusive, três motores.
O celular do copiloto que morreu no acidente, Humberto Alencar, também foi periciado e revelou a crise operacional pela qual a empresa passava. A viúva do comandante levou o aparelho a uma assistência técnica, e mensagens recuperadas revelam que ele se preocupava com a segurança das aeronaves:
Ao suspender as operações, a Anac afirmou que a decisão era resultado “da incapacidade da Voepass de solucionar irregularidades identificadas no curso da supervisão realizada pela agência, bem como da violação das condicionantes estabelecidas anteriormente para a continuidade das operações dentro dos padrões de segurança exigidos”.
“Essa aviação tá complicada, meu caro, com esses aviões fadigados. Tem que rezar para esse pessoal fazer o possível para modernizar essa frota. Porque é complicado”. Mensagens em um grupo de tripulantes revelam problemas, como portas que não fechavam completamente.
AÉREA NEGA IRREGULARIDADE
Em resposta ao Fantástico, a Voepass disse que pretende retomar atividades o mais brevemente possível, e que nos 30 anos de atuação da empresa, a segurança dos passageiros e da tripulação sempre foi e continuará sendo prioridade máxima. A empresa disse que o relatório preliminar do acidente feito pelo Cenipa confirmou a aeronavegabilidade do avião envolvido na tragédia, com todos os sistemas requeridos em funcionamento.
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Sobre a reutilização de peças, a empresa afirmou que quando uma aeronave tem certificação de aeronavegabilidade e componentes devidamente rastreados, não há impedimento para o uso desses componentes em outros aviões. A empresa contestou as denúncias de irregularidades, afirmando que segueos protocolos que atestam a conformidade de seus procedimentos.