Em entrevista a Pedro Bial, ator afirmou que gostaria de discutir ideias com pessoas de direita e criticou a polarização política
Wagner Moura fez um desabafo sobre a polarização política e os ataques que recebe por suas opiniões durante participação no programa Conversa com Bial, exibido na noite desta terça-feira (4). O ator afirmou que gostaria de dialogar com pessoas de diferentes posicionamentos políticos e disse estar "cansado de ser odiado".
A declaração foi feita enquanto comentava os temas abordados na peça Um Julgamento, atualmente em turnê. Segundo o artista, a tolerância é um dos pilares da democracia e o cenário político atual tem dificultado o diálogo entre pessoas com visões divergentes.
"A tolerância é um fator fundamental, um pilar da democracia. Você tem que ser tolerante. O que, para mim, é assustador, é que não estamos mais vendo a realidade da mesma forma", afirmou.
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Wagner também refletiu sobre o impacto da desinformação e da polarização no debate público.
"Antigamente, esquerda e direita discutiam, mas estavam vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos não importam mais. Passam a existir versões diferentes da realidade", disse.
Durante a entrevista, gravada em Atenas, na Grécia, o ator relembrou os estudos realizados para o filme Guerra Civil (2024) e afirmou que a polarização representa uma ameaça às democracias.
Segundo ele, o descrédito nas instituições democráticas pode abrir espaço para o fortalecimento de governos autoritários.

Foto: Divulgação/ Oscars
Ao comentar o desfecho da peça Um Julgamento, Wagner destacou que o afeto e a empatia são fundamentais para aproximar pessoas que pensam de forma diferente.
"No final, o que importa é o amor. É um clichê, mas é verdade. É o afeto... Estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo", declarou.
Apesar das críticas que recebe, o ator afirmou que continuará expressando suas opiniões.
"Eu vou morrer dizendo as coisas que acho. Posso estar errado, mas a minha natureza é dizer o que penso", afirmou.
Wagner Moura também rebateu críticas de quem questiona seu posicionamento político após alcançar sucesso profissional e financeiro. O ator disse que prosperar não o fez abandonar a defesa da justiça social e relembrou sua origem em Rodelas, na Bahia.
"Queria saber quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social. Não entendo esse raciocínio", declarou.
Por fim, o artista ironizou as críticas por morar fora do Brasil.
"Eu sou o mesmo cara que estava em Rodelas, que presenciou o trabalho escravo e cujo pai era sargento. Eu sou esse cara", concluiu.
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