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Wrexham transforma sucesso no futebol em esperança para uma cidade inteira
Foto: Divulgação

Ascensão do clube após a chegada de Ryan Reynolds e Rob McElhenney levou investimentos, turistas e projeção internacional à cidade do País de Gales.

A transformação do Wrexham vai muito além dos resultados dentro de campo. Desde que o clube galês foi comprado pelos astros de Hollywood Ryan Reynolds e Rob McElhenney, em 2021, a equipe deixou as divisões inferiores do futebol inglês, ganhou projeção mundial e passou a ser apontada como um possível exemplo de como um clube pode contribuir para revitalizar uma cidade.

 

A mudança é percebida não apenas nas arquibancadas do Cae Ras, estádio do Wrexham, mas também nas ruas da cidade. Em dias de jogo, turistas estrangeiros circulam pelos pubs e estabelecimentos locais, enquanto equipes de televisão acompanham a rotina dos torcedores para a série documental “Welcome to Wrexham”, produzida pela Disney e atualmente em sua quinta temporada.

 

Para Michael Williamson, CEO do Wrexham AFC há cerca de dois anos e meio, a transformação trouxe algo que vai além dos números: esperança para os moradores.

 

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“Antes de Rob e Ryan, havia incerteza quanto à chegada de dias melhores. Então, talvez as pessoas não fossem buscar um empréstimo ou financiar uma casa porque não sabiam se teriam emprego no futuro. Agora, as pessoas enxergam esperança”, afirmou.

 

Williamson chegou ao Wrexham depois de ocupar cargos de alto escalão em clubes como Inter de Milão e Miami FC. Segundo ele, a proposta apresentada por Reynolds e McElhenney rapidamente despertou seu interesse, principalmente pela combinação entre futebol e desenvolvimento da comunidade.

 

Desde a aquisição do clube por £ 2 milhões, em 2021, o Wrexham viveu uma sequência impressionante de promoções. A equipe deixou a quinta divisão inglesa e avançou para a League Two, League One e Championship em três temporadas consecutivas.

 

Na última temporada, o clube chegou a sonhar com uma vaga na Premier League, mas não conseguiu a promoção. Para Williamson, a derrota foi dolorosa justamente porque o time esteve perto de alcançar o principal objetivo esportivo.

 

Mesmo sem chegar à elite inglesa, o Wrexham passou por uma transformação financeira e estrutural. O estádio Cae Ras, que tinha capacidade inferior a 10 mil torcedores, está sendo ampliado para receber cerca de 18 mil pessoas. O clube também investiu em novos jogadores, em um centro de treinamento e na modernização do gramado.

 

Os números mostram o tamanho da aposta. Foram destinados £ 69 milhões para a ampliação do estádio, cerca de € 39 milhões líquidos na contratação de jogadores durante o verão, £ 7 milhões em um novo centro de treinamento e quase £ 2 milhões para o gramado.

 

Apesar do crescimento das receitas, o clube ainda registra prejuízos. As demonstrações financeiras referentes ao ano encerrado em junho de 2025 apontaram receita de £ 33 milhões e prejuízo operacional de £ 15 milhões.

 

Para Williamson, porém, o objetivo dos proprietários não é simplesmente transformar o clube em uma máquina de lucro.

 

“Sempre brinco que, se você quiser transformar um bilionário em milionário, diga a ele para comprar um clube de futebol”, disse, em tom de brincadeira.

 

O executivo destaca que Reynolds e McElhenney demonstram um envolvimento que vai além do futebol. Segundo ele, a dupla entende que o crescimento sustentável do Wrexham depende diretamente da relação com os moradores.

 

“A paixão e o comprometimento deles são notáveis. Mas eles não estão aqui apenas pelo clube de futebol; estão aqui pela comunidade. Eles entendem que a sustentabilidade do clube no longo prazo depende, em última instância, de a comunidade embarcar conosco nessa jornada”, afirmou.

 

Um dos sinais mais visíveis dessa mudança está no turismo. Williamson cita bares, restaurantes e estabelecimentos que passaram a receber visitantes de diferentes partes do mundo. O The Turf, tradicional pub frequentado pelos torcedores, e a Wrexham Lager se tornaram pontos de encontro para estrangeiros que viajam até a cidade para acompanhar o clube.

 

Canadenses, norte-americanos, malaios e brasileiros estão entre os visitantes que passaram a incluir Wrexham em seus roteiros. A própria série documental ajudou a transformar a cidade em um destino conhecido por pessoas que sequer acompanhavam futebol.

 

A influência internacional também aparece nas arquibancadas. Torcedores estrangeiros viajam milhares de quilômetros para assistir a uma partida no Cae Ras e conhecer a cidade que se tornou protagonista da história do clube.

Para Williamson, o caso pode servir de inspiração para outras localidades. Ele defende que clubes de futebol, quando mantêm uma relação forte com suas comunidades, podem funcionar como instrumentos de desenvolvimento econômico.

 

“Os clubes de futebol, se forem fiéis à sua natureza de organizações voltadas para a comunidade, podem ser grandes catalisadores do desenvolvimento econômico”, afirmou.

 

O Wrexham mantém ainda uma parceria próxima com a Universidade de Wrexham, inclusive com a criação de cursos ligados ao esporte. A intenção é ampliar a conexão entre o clube, a educação e o desenvolvimento econômico da região.

 

O sucesso comercial da equipe também cresceu rapidamente. A venda de camisas, que antes da aquisiço pelos astros de Hollywood alcançava apenas alguns milhares de unidades, chegou a aproximadamente 100 mil por ano.

 

A marca Wrexham também passou a atrair patrocinadores de grande porte. Um dos exemplos é o Royal Bank of Canada, que passou a estampar sua marca na camisa do clube após uma articulação de Reynolds, que mantém uma relação antiga com o banco.

 

O alcance da série documental e a presença dos proprietários também abriram portas em Hollywood. O ator Channing Tatum e o galês Anthony Hopkins participaram de campanhas relacionadas ao clube e a patrocinadores.

 

Apesar do cenário positivo, o projeto também enfrenta riscos. A promoção à Premier League continua sendo um objetivo, mas está longe de ser garantida. Ao mesmo tempo, uma eventual queda de desempenho poderia afetar parte do impulso comercial conquistado nos últimos anos.

 

Outro ponto de atenção é o futuro da sociedade formada por Reynolds e McElhenney. A entrada do fundo Apollo como investidor minoritário levantou questionamentos sobre uma possível saída dos proprietários originais, embora Williamson indique que a dupla possui um compromisso de longo prazo com o clube.

 

Segundo o executivo, Reynolds e McElhenney não enxergam o Wrexham apenas como um ativo financeiro, mas como guardiões da história de 162 anos da equipe.

 

Enquanto isso, Williamson e o técnico Phil Parkinson precisam administrar um clube que cresce em velocidade incomum. O executivo afirma que sua experiência em diferentes países ajuda a lidar com culturas empresariais distintas.

 

Para ele, os norte-americanos costumam buscar soluções mais diretas, enquanto os italianos têm maior disposição para encontrar caminhos alternativos. Já os britânicos seriam mais rígidos em relação a regras e procedimentos.

 

A estratégia, então, é combinar essas diferentes formas de trabalhar para manter o Wrexham avançando sem perder a identidade construída ao longo de sua história.

 

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A experiência do clube galês mostra que o impacto de uma equipe de futebol pode ultrapassar os limites do estádio. Em Wrexham, o sucesso esportivo se transformou em uma marca global, atraiu visitantes, movimentou negócios e, segundo seus dirigentes, devolveu aos moradores uma sensação que parecia perdida: a esperança de que dias melhores poderiam chegar. 

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