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Xi saiu vitorioso na disputa com Trump em 2025
Foto: Reprodução

Donald Trump voltou à Casa Branca em janeiro com o objetivo declarado de dobrar a China à sua vontade. Antes de completar duas semanas no poder, elevou as tarifas cobradas de produtos chineses de 10% para 20%. “Foi apenas um tiro de advertência. Se não conseguirmos fechar um acordo com a China, as tarifas serão muito, muito substanciais”, disse na época.

 

Nos meses seguintes, a previsão se tornou realidade. No primeiro tarifaço em abril, a China foi contemplada com as maiores sobretaxas e, em seguida, começou a retaliar.

 

A sucessão de respostas americanas fez a tarifa cobrada de produtos chineses chegar a inacreditáveis 145%. Em maio, com o primeiro cessar-fogo na guerra comercial, caiu para 30%. Hoje está em 20%. Parece evidente que, no primeiro ano de Trump, o chinês Xi Jinping levou a melhor.

 

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No início do mês, Trump deu permissão para que a Nvidia começasse a vender aos chineses seu segundo chip mais avançado para inteligência artificial (IA), medida tida como fora de cogitação até há pouco. Estados Unidos e China disputam a corrida da IA, com potencial de catapultar ganhos tanto na economia como na área militar.

 

Vender chips de ponta ao adversário parecia impensável, por agir contra o interesse nacional. Não mais. Ao ceder, Trump atraiu críticas da oposição e do próprio Partido Republicano. A justificativa de que o governo americano ficaria com parte do lucro das vendas não convenceu ninguém.

 

Não foi a única concessão americana. Em novembro, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, disse no Parlamento que um ataque armado da China contra Taiwan poderia justificar envio de tropas à região. De lá para cá, a China tem respondido com pressão sobre Takaichi, enviando bombardeios a sobrevoar a vizinhança de ilhas japonesas. Da Casa Branca, não se ouviu um pio em defesa do maior aliado asiático. Nos meios diplomáticos, chamou a atenção a divulgação da Estratégia de Segurança Nacional pela Casa Branca, elencando as prioridades geopolíticas americanas. Em vez da Ásia, como em governos anteriores, agora as Américas aparecem em primeiro lugar.

 

Pelo menos momentaneamente, os chineses conseguiram conter a investida americana ameaçando restringir o fornecimento de matérias-primas essenciais. A China domina o mercado de terras-raras, grupo de 17 elementos químicos usados nos setores de tecnologia de ponta, incluindo equipamentos de defesa como caças, mísseis ou radares — controla cerca de 70% da mineração global e impressionantes 90% do processamento e refino. Também é dominante nas cadeias de outros minerais. As Forças Armadas dos Estados Unidos dependem de suprimentos chineses para obter acesso a cerca de 6 mil componentes de baterias e armamentos.

 

Em 2025, Xi demonstrou a disposição de usar o poder econômico como arma de pressão. A certeza de que a China é a maior ameaça estratégica ao poderio americano não desapareceu em Washington. Continua a ser um dos raros pontos de convergência entre democratas e republicanos. Trump, porém, errou ao blefar que iria até as últimas consequências e se viu forçado a voltar atrás.

 

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A força americana na ciência, na economia e nos campos de batalha continua inabalável, mas em 2025 Xi saiu vitorioso. Pode ter sido uma vitória circunstancial, mas para isso Trump não pode mais atrapalhar.  

 

Fonte: O Globo

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