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Zelensky diz que envio de tropas ocidentais à Ucrânia poderia 'forçar Rússia' à 'paz'
Foto: Reprodução

Em reunião na Alemanha com aliados, presidente da Ucrânia disse ainda que a posse de Trump no próximo dia 20 pode abrir um período de oportunidades

O envio de tropas ocidentais para a Ucrânia ajudaria a "forçar a Rússia" a assinar a "paz", disse o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, nesta quinta-feira, afirmando que o iminente retorno de Donald Trump à Casa Branca seria um "período de oportunidade". Os rumores de negociações de paz têm sido frequentes nas últimas semanas, quase três anos após a invasão da Ucrânia pela Rússia e a promessa de Trump de acabar com a guerra rapidamente.

 

Zelensky está na Alemanha para se reunir com os principais aliados de Kiev em um momento em que as forças ucranianas estão recuando na frente oriental e há temores de que os EUA possam decidir reduzir seu apoio após a volta de Trump, que toma posse no próximo dia 20, ao poder. Os Ministérios das Relações Exteriores da Europa e dos EUA estão considerando vários caminhos, incluindo o envio de um contingente militar para a Ucrânia para manter um cessar-fogo.

 

Em reunião na base militar americana em Ramstein, no oeste da Alemanha, o presidente ucraniano disse que "o envio de contingentes de parceiros é um dos melhores instrumentos" para pressionar Moscou a sentar em uma mesa de negociações. A Rússia, porém, descartou a hipótese como "prematura". Há poucas semanas, Moscou recusou um acordo preliminar de paz com a Ucrânia, atribuído a "representantes da equipe" de Trump, que incluía, entre outros termos, a introdução de um contingente de manutenção da paz formado por forças britânicas e europeias na Ucrânia.

 

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Além disso, a participação direta de tropas ocidentais no conflito levanta dúvidas sobre como a Otan, principal aliança militar do Ocidente, entenderia os combates diretos de suas forças com a Rússia. Eventuais mortes de soldados poderiam se enquadrar em um ataque direto à aliança, trazendo riscos de uma guerra total e direta entre a Otan e a Rússia, o que poderia, em um cenário catastrófico, envolver armas nucleares.

 

Uma sugestão similar chegou a ser feita pelo presidente francês, Emmanuel Macron, no início de 2024. Na ocasião, Macron disse não descartar um potencial envio de tropas ocidentais para auxiliar Kiev no conflito. A Rússia prontamente respondeu que a ação "não convém" ao Ocidente, ao passo que líderes europeus demonstraram abertamente sua inquietação com a declaração.

 

Zelensky também enfatizou que, com o retorno de Trump à Presidência dos EUA, um "novo capítulo está se abrindo para a Europa e para o mundo inteiro". Em novembro, o presidente ucraniano disse que o conflito no Leste Europeu "terminará mais cedo" quando Trump voltar à Casa Branca, em referência à promessa do republicano de resolver o conflito "em 24 horas".

 

— Teremos que cooperar ainda mais, contar ainda mais uns com os outros e alcançar resultados ainda mais importantes juntos — disse.

 

Washington, sob o comando do presidente Joe Biden, têm sido o maior apoiador de guerra da Ucrânia, fornecendo ajuda militar no valor de mais de US$ 65 bilhões desde fevereiro de 2022. O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, anunciou em Ramstein um novo pacote de ajuda militar de cerca de US$500 milhões (R$ 3 bilhões na cotação atual). O pacote "inclui mísseis adicionais para a defesa aérea ucraniana, mais munição e mais munições ar-terra e outros equipamentos para apoiar os F-16 ucranianos", disse o secretário.

 

Mas o magnata, que nutre uma relação complexa com o presidente Vladmir Putin, é mais suscetível a reduzir a ajuda militar e financeira à Ucrânia. Ele é um crítico ferrenho aos pacotes bilionários enviados a Kiev, chegando a trabalhar para convencer os legisladores republicanos a bloquear uma legislação defendida por Joe Biden que incluía um robusto pacote de ajuda militar. Somado a isso, Trump não é um grande entusiasta da Ucrânia: além de criticar a ajuda, já demonstrou desprezo pelo país e pelo próprio presidente ucraniano, chegando a culpá-lo pelo início da guerra.

 

Trump também criticou os aliados da Otan por gastarem muito pouco em defesa compartilhada. Em entrevista coletiva nesta terça, defendeu que os Estados-membros da Otan deveriam subir os gastos em defesa para 5% do seu PIB — e não 2%, como está fixado hoje.

 

O secretário geral da OTAN, Mark Rutte, defendeu nesta quinta que os aliados precisam ajudar a Ucrânia a alcançar uma posição de força antes de qualquer eventual cessar-fogo ou negociações de paz.

 

A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, disse que esperava que os Estados Unidos continuassem apoiando a Ucrânia. Caso contrário, acrescentou ela, o bloco estaria pronto para assumir a liderança.

 

— Tenho certeza de que todos os outros membros e, com sorte, também os Estados Unidos, estão prontos para continuar apoiando a Ucrânia — disse Kallas ao se dirigir para a reunião em Ramstein.

 

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Nesse momento, disse aos jornalistas, “não devemos especular” sobre o futuro apoio dos EUA. Mas, observou, “não é do interesse dos Estados Unidos que a Rússia seja a força mais forte do mundo”. 

 

Fonte: O Globo

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