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ZOPACAS chega aos 40 anos entre avanços limitados e nova relevância estratégica
Foto: Divulgação

Projeto criado na Guerra Fria volta ao centro do debate diante das disputas geopolíticas no Atlântico Sul.

Entre os dias 8 e 9 de abril, o Rio de Janeiro será sede da IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, marco que celebra quatro décadas de uma iniciativa considerada estratégica, embora historicamente pouco consolidada na política externa brasileira.

 

Criada em 1986 por meio de resolução da Organização das Nações Unidas, a ZOPACAS surgiu em um contexto de Guerra Fria, com o objetivo de evitar a militarização do Atlântico Sul e fortalecer a cooperação entre países da América do Sul e da África. A proposta representava uma alternativa à influência de potências globais na região, além de reforçar o diálogo entre países do chamado Sul Global.

 

A iniciativa foi liderada pelo Brasil, com apoio da Argentina, em um momento de transição política interna e reposicionamento diplomático. Além de conter disputas externas, o projeto também buscava ampliar parcerias estratégicas com países africanos, fortalecendo laços econômicos e políticos.

 

 

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Apesar de sua relevância, a ZOPACAS enfrentou dificuldades ao longo dos anos. A ausência de uma estrutura permanente como sede, orçamento e secretariado contribuiu para longos períodos de inatividade. Em quatro décadas, foram realizadas apenas oito reuniões ministeriais, com intervalos de até dez anos entre alguns encontros.

 

Essa fragilidade institucional limitou o alcance prático da iniciativa, que muitas vezes ficou restrita a declarações diplomáticas sem continuidade efetiva.

 

NOVO CENÁRIO GLOBAL

 

O contexto atual, no entanto, reacende a importância da ZOPACAS. O Atlântico Sul ganhou protagonismo com a exploração de recursos energéticos, como o pré-sal brasileiro, além do aumento da relevância estratégica do Golfo da Guiné, marcado por desafios como pirataria e crime transnacional.

 

Ao mesmo tempo, a presença de potências como China e Estados Unidos na região, somada às disputas emergentes envolvendo a Antártida, reforça a necessidade de coordenação entre os países do entorno.

 

Diante desse cenário, a reunião no Rio de Janeiro representa uma oportunidade de redefinir o futuro da ZOPACAS. O principal desafio é transformar o bloco em uma organização mais estruturada, com capacidade de implementar ações concretas e coordenar políticas regionais.

 

Especialistas apontam que, sem avanços institucionais, a iniciativa corre o risco de permanecer como um fórum simbólico. Por outro lado, caso seja fortalecida, pode se consolidar como um instrumento relevante de cooperação, segurança e desenvolvimento no Atlântico Sul.

 

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Quatro décadas após sua criação, a ZOPACAS enfrenta o desafio de deixar de ser apenas uma ideia promissora para se tornar uma ferramenta efetiva diante das demandas geopolíticas atuais. 

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