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SEGREDOS DE BASTIDORES
*Por Antônio Zacarias - A eleição para o Governo do Amazonas começa a entrar naquela fase em que os discursos deixam de ser apenas discursos e passam a ser confrontados com a história, a experiência e os resultados apresentados por cada candidato.
É justamente neste momento que surge uma pergunta que está ganhando cada vez mais espaço nas mentes e corações do povo do Amazonas:
“Se a eleição fosse decidida apenas pela experiência administrativa, capacidade política e trajetória pública, quais seriam os dois nomes que deveriam chegar ao segundo turno?”.
Na minha leitura, na minha opinião de analista politico, considerando esses critérios, o segundo turno ideal seria disputado pelo senador Omar Aziz e pelo ex-prefeito de Manaus David Almeida.
E ouso dizer mais: o povo do Amazonas estaria bem servido com qualquer um dos dois eleito governador.
Não que ambos sejam iguais. Até porque não são mesmo. Muito pelo contrário.
O Omar e o David têm trajetórias diferentes, estilos diferentes e formas diferentes de fazer política e de governar.
Os dois, no entanto, têm uma característica em comum que considero fundamental para quem pretende governar o Amazonas: experiência comprovada no Executivo e conhecimento da realidade do Estado.
Um já governou o Amazonas; o outro administrou Manaus por mais de cinco anos, além de já ter governado o estado, ainda que interinamente.
Um conhece profundamente a máquina estadual; o outro conhece os problemas e as necessidades da maior cidade da Amazônia. Além, como eu já disse, de já ter ocupado o cargo de governador-tampão.
Os dois sabem que governar o Amazonas não é apenas sentar na cadeira do governador; é enfrentar um Estado gigantesco, com 61 municípios no interior, comunidades isoladas, dificuldades logísticas, problemas históricos de saúde, educação, segurança, infraestrutura e transporte.
É por isso que, na minha avaliação, o Omar Aziz e o David Almeida têm credenciais políticas para protagonizar uma disputa de segundo turno.
Vamos aos argumentos:
OMAR AZIZ: A EXPERIÊNCIA DE QUEM JÁ GOVERNOU O AMAZONAS
O primeiro ponto a favor do Omar Aziz é justamente a experiência.
Antes de chegar ao Senado, o Omar foi vice-governador e depois governador do Amazonas.
Trocando em miúdos: ele conhece a máquina estadual por dentro, conhece os desafios administrativos, conhece as dificuldades orçamentárias, conhece a relação com Brasília. E conhece, principalmente, a complexidade de governar um Estado em que o interior tem uma importância enorme.
Essa experiência não é algo que se encontra em qualquer político.
Para governar o Amazonas, é preciso conhecer Manaus, mas também conhecer Parintins, Itacoatiara, Tefé, Coari, Tabatinga, Humaitá, Tonantins, Silves, Tabatinga, Manacapuru e tantos outros municípios que vivem realidades completamente diferentes da capital.
O Omar tem essa experiência, além de ter outra qualidade importantíssima: articulação política.
Sua trajetória no Senado lhe deu trânsito em Brasília e relacionamento com diferentes grupos políticos.
Em um Estado que depende fortemente de recursos federais, emendas parlamentares, investimentos e articulação institucional, essa capacidade de diálogo do Omar pode ser - e é - um ativo importante para qualquer governador.
Há ainda outro ponto: o Omar já enfrentou o teste das urnas em diferentes momentos da vida pública.
Foi vereador, deputado estadual, vice-governador, governador e hoje é senador. É uma trajetória longa. E experiência política, gostem ou não seus adversários, é algo que não se constrói da noite para o dia.
OMAR E A EXPERIÊNCIA EXECUTIVA
Há uma diferença importante entre ser parlamentar e administrar o Executivo.
No Legislativo, o político debate, fiscaliza, propõe e vota. No Executivo, a responsabilidade é outra. É preciso administrar orçamento, servidores, hospitais, escolas, segurança, infraestrutura e uma máquina pública enorme. E o Omar já provou que sabe fazer isso muito bem.
Esse talvez seja um dos principais argumentos a favor de sua candidatura.
Ele não chegaria ao Governo do Amazonas para descobrir como funciona a máquina estadual, assim como o David.
Ele já esteve sentado naquela cadeira, assim como David. E isso pode representar uma vantagem importante em um Estado com problemas tão complexos.
E O DAVID ALMEIDA?
O David Almeida apresenta a experiência de quem administrou Manaus durante mais de cinco anos e, como já citei, governou interinamente o estado.
Isso também tem peso. E não é pouco, não.
Manaus concentra mais da metade da população do Amazonas e possui uma máquina administrativa gigantesca.
Administrar a capital amazonense é, por si só, um desafio de grandes proporções.
David tem, portanto, uma qualidade que não pode ser ignorada: experiência administrativa recente e diretamente ligada aos problemas cotidianos da maior parte da população do Estado.
Na gestão municipal, a Prefeitura de Manaus afirma ter realizado investimentos importantes em educação, infraestrutura, saúde e mobilidade.
Segundo dados divulgados pela própria Prefeitura, a gestão ampliou a rede de escolas, climatizou salas de aula e expandiu o ensino em tempo integral. A administração também atribui à sua gestão avanços nos indicadores educacionais da capital.
É importante registrar que esses números são divulgados pela própria administração municipal e, portanto, devem ser analisados juntamente com outros indicadores independentes.
Mas eles revelam algo que ninguém pode negar: o David acumulou experiência concreta na administração pública. E isso conta. E como conta!
DAVID CONHECE A CAPITAL POR DENTRO
Existe outro ponto forte na candidatura de David.: ele conhece Manaus profundamente.
Conhece a periferia, os bairros, os problemas de mobilidade. Conhece a realidade das comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas.
Em sua gestão, por exemplo, a prefeitura implementou políticas voltadas também à rede rural e ribeirinha e ampliou investimentos na educação municipal.
Além disso, o David conseguiu se manter politicamente competitivo na capital, sendo reeleito prefeito.
Isso demonstra capacidade eleitoral.E capacidade eleitoral também é uma qualidade importante para quem pretende governar o Amazonas, pois não basta administrar, é preciso também construir maioria política para governar.
DAVID TEM UMA OUTRA QUALIDADE: A CAPACIDADE DE CONVERSAR COM O ELEITOR
David tem um estilo político diferente do estilo do Omar.
O David é mais direto, mais popular. Em outras palavras: ele sabe conversar com o eleitor.
Enquanto o Omar tem uma imagem mais associada à experiência política e institucional, o David construiu uma identidade muito ligada à gestão municipal e à comunicação direta com a população.
Essa característica pode ser especialmente importante em uma campanha estadual.
O governador precisa falar com o eleitor da capital, mas também precisa convencer o eleitor do interior.
O David tem a vantagem de conhecer profundamente a capital. Ao mesmo tempo, sua trajetória política começou no interior do Amazonas, o que lhe permite reivindicar uma ligação com diferentes realidades do Estado.
A EDUCAÇÃO É UM DOS CARTÕES DE VISITA DA GESTÃO DAVID
Um dos argumentos mais fortes que David poderá apresentar durante a campanha está na educação.
Na gestão do David, Manaus avançou nos indicadores educacionais e a cidade alcançou o uma posição de destaque entre as capitais brasileiras.
A gestão dele também fez investimentos em escolas, climatização de salas de aula, expansão do ensino integral e valorização dos profissionais da educação.
Esse é um campo em que o David pode apresentar resultados concretos de sua passagem pela prefeitura.
Por que isso é importante? Ora, porque uma eleição para governador não se vence apenas com promessas.
O eleitor também pergunta: “O que você já fez?”.
O David tem o que mostrar. Isso ninguém pode dizer o contrário, nem mesmo seus adversários.
A DECISÃO É DO ELEITOR
É claro que a eleição será decidida pelo eleitor.
Não cabe a uma coluna de política dizer ao cidadão em quem ele deve votar, mas cabe ao jornalista analisar os cenários.
Agora, considerando a trajetória dos principais candidatos, uma hipótese politicamente interessante seria um segundo turno entre o Omar e o David
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O Omar Aziz e o David Almeida chegam à eleição de 2026 com qualidades diferentes.
O Omar carrega a experiência de ex-governador, a passagem pelo Senado e uma trajetória política construída ao longo de décadas.
Além de ter governado o Amazonas por cinco meses, na condição de governador-tampão, o David carrega a experiência de mais de cinco anos à frente da Prefeitura de Manaus, uma gestão que apresenta como marcas investimentos em educação, infraestrutura, saúde e políticas sociais.
Omar conhece o Amazonas por ter governado o Estado.
David conhece Manaus por ter administrado a capital.
Omar tem experiência política nacional.
David tem experiência administrativa municipal recente.
Um representa a experiência de quem já esteve no Palácio do Governo por quatro anos.
O outro representa a experiência de quem comandou a maior prefeitura da região.
Por tudo isso, olhando exclusivamente para a trajetória administrativa e política dos dois, considero que um segundo turno entre o Omar e o David seria uma disputa capaz de oferecer ao eleitor amazonense duas candidaturas com experiência suficiente para governar o Estado.
E digo mais uma vez:
se qualquer um dos dois fosse escolhido pelo povo para governar o Amazonas, o Estado estaria, em tese, entregando o comando do Executivo a dois políticos que já tiveram experiência concreta de gestão pública e que, portanto, deveriam ser julgados pelo eleitor não apenas pelo discurso, mas também pelo que fizeram e pelo que prometem fazer.
Agora, caro leitor, a palavra é do povo, pois, no dia 4 de outubro, quem vai decidir o futuro do Amazonas não será o Omar nem o David.
Não será este colunista.
Será você, eleitor!
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.