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*Por Antônio Zacarias - A tal pesquisa que colocou Maria Enxofre do Carmo na liderança rumo ao Governo do Amazonas ganhou um capítulo novinho em folha. E nada de palanque: o assunto agora é na Justiça.
PESQUISA ‘FANTA’. É O QUE O TRE QUER SABER
O TRE-AM abriu apuração para checar se houve maracutaia no registro do levantamento feito pelo Instituto Veritá — aquele mesmo que cravou a pré-candidata do PL na frente de gente de peso como Omar Aziz e David Almeida.
O MARTELO AINDA NÃO FOI BATIDO
Calma, sem desespero: o tribunal ainda não disse que o levantamento é furado. O processo está engatinhando.
O Veritá foi chamado pra se explicar e só depois de ouvirem a Procuradoria é que a Justiça bate o martelo. Só que, politicamente, o estrago já tá feito.
Afinal, pesquisa não é só número: é manchete, é moral, é gás pra campanha.
Quando um resultado pomposo vira alvo de questionamento judicial, a dúvida se instala na hora. E aí é que mora o perigo para Maria Enxofre.
A PESQUISA QUE MUDOU O JOGO
O levantamento do Veritá (feito no início de julho com 1.220 eleitores) trouxe Maria Enxofre com 35,7% dos votos válidos, deixando Omar Aziz com 31,9%, David Almeida com 15,8% e Roberto Cidade, o “Cocô de Ouro”, com 14,9%. No segundo turno, deu Maria Enxofre de novo.
Na prática, isso é uma bomba nos bastidores. Esse tipo de dado muda o discurso, atrai aliado e mexe até com a cabeça do eleitor. O recado foi claro: "A mulher disparou!". Só que essa mesma historinha agora tá sob a lupa da Justiça Eleitoral.
O TRE ABRIU O SINAL. AGORA O VERITÁ QUE LUTE!
A chiadeira veio da Federação União Progressista (União Brasil e Progressistas). Eles alegam que o instituto atropelou regras do TSE: faltou detalhar bairros, municípios, setores censitários e o perfil completo da amostra (idade, renda, escolaridade) no sistema do PesqEle.
Claro, ninguém pode condenar antes da hora. Mas fingir que nada aconteceu também não dá. A Justiça achou que a denúncia tinha pé e cabeça e mandou citar o Veritá. Enquanto os advogados discutem papelada, os adversários só olham uma coisa: o estrago político.
A GUERRA DOS NÚMEROS FICOU MAIS PESADA
A questão é que essa pesquisa do Veritá caiu num mar de outros levantamentos que mostram um cenário bem diferente. E pesquisa é isso: retrato do momento, não sentença final.
O relatório do Veritá diz que usou sistema automatizado de voz com transcrição de áudio, com base no Censo/PNAD e auditoria de 20%. Agora cabe à Justiça conferir o passo a passo de como chegaram lá. A lupa tá em cima do método, não só do resultado.
LIDERANÇA NO COLO, ABACAXI NA MÃO
Maria Enxofre do Carmo vive uma sinuca de bico: a pesquisa que mais deu moral pra pré-campanha dela virou alvo de contestação.
Isso significa que o número tá errado? Não necessariamente. Mas cria uma pulga atrás da orelha do mercado político.
Se o Veritá provar que a pesquisa não foi inventada, Maria Enxofre ganha um trunfo gigante e pode bater no peito dizendo que resistiu ao ataque.
Se der ruim no registro, os adversários vão deitar e rolar, tentando desidratar a narrativa de liderança dela.
DE OLHO NO LANCE: A TURMA DO OMAR
Quem tá de camarote acompanhando cada vírgula é a turma do Omar Aziz. O senador vinha figurando no topo em várias pesquisas até a bomba do Veritá aparecer dando Maria Enxofre na frente.
Ninguém ali vai comemorar antes da hora pra não queimar a largada, mas o interesse é total. Afinal, em ano de eleição, quem domina a narrativa domina o jogo.
PESQUISA NÃO VOTA, MAS EMPURRA
Quem é do ramo sabe: pesquisa não põe voto na urna, mas cria o "clima".
Candidato na frente atrai verba, fecha apoio e bota moral. Quem fica pra trás corre o risco de ver aliados debandando.
Por isso a briga é tão feia. Quando um número destoa demais dos outros, a pergunta é imediata: "De onde tiraram isso?". O processo no TRE põe essa dúvida de forma oficial na mesa.
O DESAFIO DO INSTITUTO
O Veritá tem dois abacaxis pra descascar:
1. O jurídico: Provar que cumpriu os trâmites do TSE.
2. O de imagem: Garantir que seu nome continue de pé no mercado.
Marqueteiros, políticos e partidos estão só esperando a tréplica.
BEM-VINDO À GUERRA DA CREDIBILIDADE
A eleição deste ano no Amazonas está mostrando que a briga não vai ser só no corpo a corpo das ruas. A guerra de versões e de números vai comer solta.
Pesquisa é momento. O levantamento é do começo de julho, e de lá pra cá o jogo já rodou bastante. O detalhe é que, além do tempo passar, agora o número da vez tá na mesa do juiz.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O processo no TRE-AM não prova que a pesquisa é mentirosa ou que Maria Enxofre não tá na frente. Não tem veredito ainda. O que existe é uma dúvida formal sendo checada. É bom deixar isso bem claro.
Mas uma coisa é certa: no Amazonas, não basta mais só ostentar o primeiro lugar na arte da rede social. Vai ter que provar que o número segura o tranco. E a disputa, que já tava quente, agora ficou é pegando fogo.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.