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SEGREDOS DE BASTIDORES
*Por Antônio Zacarias - Parece que a cadeira de governador do Amazonas está mesmo precisando de alguém.
Pelo menos é o que afirma o prefeito de Manaus, Renato Júnior, que decidiu escancarar a crise e disparou contra Roberto Cidade, o ‘Cocô de Ouro’,: “Governador caloteiro”.
A declaração veio depois que Manaus amanheceu mergulhada no caos do transporte coletivo.
Desde a tarde de segunda-feira (20), os ônibus urbanos estão parados, em meio a reclamações de atraso no pagamento dos salários dos rodoviários. E quando os ônibus param, Manaus para junto.
É trabalhador que não chega ao emprego, é estudante que não chega à escola, é. paciente que não chega à consulta, é o cidadão comum, aquele que não tem helicóptero, jatinho ou motorista particular, pagando a conta de uma crise que não criou.
No meio desse caos, uma pergunta precisa ser feita: Cadê o dinheiro?
O CALOTE QUE VIROU BRIGA POLÍTICA
Renato Júnior não poupou o “Cocô de Ouro”. Disse que o governador-tampão precisa “sentar na cadeira” e resolver o problema.
A provocação tem endereço certo, mas dessa vez, o prefeito não está sozinho na cobrança.
Fernando Borges, diretor jurídico do Sinetram, colocou números na mesa.
Segundo ele, o Governo do Amazonas teria acumulado um passivo de R$ 44 milhões relacionado ao pagamento das gratuidades estudantis.
Quarenta e quatro milhões de reais, uma cifra que ajuda a explicar por que o sistema de transporte coletivo chegou ao limite.
O problema é que o Governo do Amazonas contesta o valor. Segundo a versão apresentada pelo vice-governador-tampão Serafim Corrêa, a dívida seria de R$ 18 milhões, referente ao período de fevereiro a julho de 2026, e o pagamento teria sido anunciado.
É OU NÃO É CALOTE?
Aqui está o ponto central dessa história: Renato Júnior chamou Roberto Cidade de “governador caloteiro”.
O Sinetram confirma: a dívida do governo do estado com o sistema de transporte coletivo é de R$ 44 milhões.
O Governo diz que o valor é outro e anuncia pagamento. Então, vamos aos fatos:
Se o Estado deve, pague. Se não deve R$ 44 milhões, mostre os números. Se deve R$ 18 milhões, pague os R$ 18 milhões. Se já pagou alguma coisa, apresente os comprovantes. Se há divergência de cálculo, abra as planilhas, pois, em uma crise dessa proporção, não basta fazer coletiva. É preciso mostrar a conta.
Afinal, o dinheiro é público e a população tem o direito de saber onde está cada centavo.
O “COCÔ DE OURO” PRECISA SAIR DA TOCA
Roberto Cidade chegou ao Governo do Amazonas prometendo gestão, eficiência e solução. Agora, diante de uma cidade com o transporte coletivo paralisado, o “Cocô de Ouro”está diante de uma daquelas situações em que não existe marketing nenhum no mundo que resolva.
Não adianta trocar nome de unidade policial; não adianta inaugurar placa; não adianta fazer propaganda. Quando a realidade emerge, não há narrativa fora de contexto que se sustente.
A verdade é que o sistema de transporte está em crise. Os motoristas e cobradores reclamam que os salários estão atrasados; o Sinetram afirma que há milhões a receber; o prefeito acusa o governador-tampão de calote.
A CADEIRA PODE ESTAR VAZIA, MAS A CONTA CHEGOU
A frase de Renato Júnior sobre a “cadeira vazia” do Governo do Amazonas pode até ser interpretada como provocação política, mas há algo que não é provocação: os ônibus estão parados. Essa é a realidade.
A paralisação não acontece dentro de um gabinete climatizado. Acontece nas ruas. Atinge quem depende do transporte coletivo. Atinge quem acorda de madrugada para trabalhar. Atinge o estudante que precisa atravessar a cidade para estudar. Atinge a mãe que precisa levar o filho à escola. Atinge o trabalhador que pode perder o emprego porque não conseguiu chegar no horário.
A CONSEQUÊNCIA É REAL.
É evidente que existe uma disputa política entre os grupos de Renato Júnior e Roberto Cidade.
Isso não é segredo para ninguém. Mas o transporte coletivo não pode ser transformado em cabo de guerra eleitoral.
Se existe dívida, deve ser paga. Se existe cobrança indevida, deve ser contestada. Se existe erro de cálculo, deve ser corrigido. E se alguém está errado, precisa assumir. E, pelo que já foi mostrado, quem está errado é o Cocô de Ouro.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Se Roberto Cidade quer provar que não é o “governador caloteiro” que Renato Júnior diz que ele é, a resposta é simples. Não precisa gritar. Não precisa atacar. Não precisa fazer discurso.
Basta mostrar os comprovantes.
Quanto o Estado devia Quanto pagou? Quanto ainda deve?
Por que os rodoviários chegaram ao ponto de parar o sistema?
A verdade incontestável é que, quando a cidade inteira fica sem ônibus, a cadeira do governador pode até estar ocupada, mas, para o cidadão, a sensação é outra: a de que ninguém está, de fato, sentado nela.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.