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SEGREDOS DE BASTIDORES
*Por Antônio Zacarias - Minha gente, vamos direto ao ponto, sem arrodeio e sem tentar agradar a candidato nenhum: se a eleição para o Governo do Amazonas fosse amanhã, o o Omar Aziz estaria no segundo turno, a julgar pelas pesquisas mais recentes..
A grande interrogação está na segunda vaga.
A Maria Enxofre do Carmo, o Roberto Cidade e o David Almeida aparecem embolados, alternando posições conforme o instituto, a metodologia e o período em que os eleitores foram ouvidos.
Mesmo assim, se eu tivesse que apostar hoje, colocaria minhas fichas no Roberto Cidade para disputar o segundo turno com o Omar.
Não porque a eleição esteja decidida, muito menos porque a máquina pública seja invencível.
Mas porque, entre os três candidatos que disputam a segunda vaga, o Roberto Cidade parece reunir, neste momento, as melhores condições para crescer durante a campanha.
OMAR ESTÁ EM TODAS
O Omar Aziz pode aparecer com 27%, 30%, 33% ou qualquer outro percentual, dependendo da pesquisa. O que não muda é sua presença na liderança ou, pelo menos, no grupo que ocupa o topo.
Ele tem voto consolidado, principalmente no interior, já governou o Amazonas, é senador, conhece praticamente todos os prefeitos e mantém uma rede política montada há muitos anos.
Além disso, possui o apoio declarado da maioria esmagadora dos prefeitos amazonenses.
Isso não significa que a eleição esteja ganha. Longe disso. Mas significa que, se a votação fosse amanhã, seria muito difícil imaginar um segundo turno sem o Omar.
Portanto, a verdadeira guerra não parece ser pela primeira vaga. É pela segunda.
Nessa briga, meu amigo, minha amiga, vale tudo: máquina, dinheiro, alianças, ataques, propaganda, estrutura partidária e muita conversa ao pé do ouvido.
AS PESQUISAS MOSTRAM TRÊS CENÁRIOS DIFERENTES
É aqui que o eleitor precisa ter cuidado. A pesquisa Projeta colocou o Roberto Cidade em segundo lugar, com 23,4%, atrás do Omar, que apareceu com 27%. Nesse levantamento, o Cidade estaria no segundo turno.
A Action mostrou o Omar na liderança e o Cidade disputando a segunda colocação, ora empatado com a Maria Enxofre do Carmo, ora embolado também com o David Almeida.
Já o Instituto Veritá apresentou um cenário diferente, com o Omar e a Maria Enxofre nas primeiras posições, enquanto o Cidade ficou mais atrás.
Qual dessas pesquisas está certa?
Pode ser que nenhuma esteja inteiramente certa. Também pode ser que todas estejam captando pedaços diferentes do mesmo eleitorado.
Pesquisa não é eleição. É retrato daquele momento, tirada com determinado método, em determinados lugares e com determinada composição da amostra.
O que não dá para negar é que o Roberto Cidade aparece competitivo em boa parte dos levantamentos. Em alguns, já está no segundo turno. Em outros, continua perfeitamente vivo na disputa.
SE FOSSE AMANHÃ, EU APOSTARIA EM OMAR E CIDADE
Minha gente, política também exige leitura. Concorda comigo?
Não basta olhar os números como quem olha o placar de um jogo que já terminou. É preciso observar quem está crescendo, quem tem espaço para avançar e quem possui estrutura para transformar campanha em voto.
Por isso, se a eleição fosse amanhã, eu diria que o Omar Aziz e o Roberto Cidade seriam os dois nomes com maiores possibilidades de chegar ao segundo turno.
O Omar pela liderança consolidada, sobretudo no interior, e o Cidade porque tem baixa rejeição, ocupa o Governo do Estado, ganhou visibilidade e dispõe de uma estrutura capaz de fazê-lo crescer justamente na hora em que o eleitor começa a prestar atenção de verdade na campanha.
O que estou dizendo é uma conjectura, é uma aposta política, naturalmente. Não é uma certeza matemática.
Se eleição fosse uma equação exata, instituto de pesquisa nunca erraria e candidato rico jamais perderia. A história mostra que não funciona assim.
Tô certo ou tô errado?
A CANETA DE GOVERNADOR PESA
O Roberto Cidade começou essa corrida como coadjuvante. Eu enfatizei isso na coluna de ontem.
Depois que assumiu o Governo do Amazonas, porém, passou a jogar outro campeonato.
Agora, ele entrega obra, anuncia benefício, recebe prefeito, reúne deputado, visita município e aparece diariamente no noticiário.
Antes, precisava correr atrás de uma câmera. Hoje, as câmeras correm atrás dele.
Isso faz uma diferença enorme.
Quem ocupa o governo não precisa pedir palco: o cargo já é um palco permanente.
A caneta de governador não aperta o botão da urna, mas ajuda a abrir portas, construir alianças e produzir uma exposição que os adversários precisam pagar muito caro para conseguir.
Tudo isso eu falei ontem aqui.
CIDADE TEM BAIXA REJEIÇÃO, E ISSO VALE OURO
Outro ponto importante é a rejeição. Algumas pesquisas mostram o Roberto Cidade com a menor rejeição entre os principais candidatos.
Isso não coloca ninguém automaticamente no segundo turno, mas oferece espaço para crescer.
Candidato muito conhecido e muito rejeitado pode ter chegado ao teto. Já um candidato competitivo, com baixa rejeição e estrutura poderosa, ainda pode conquistar eleitores durante a campanha.
É justamente aí que o Roberto Cidade se torna perigoso. Ele não precisa ultrapassar o Omar neste momento, precisa apenas superar a Maria Enxofre e o David.
Não é novidade pra ninguém que, numa disputa tão apertada, dois ou três pontos conquistados durante a campanha podem separar o candidato que vai ao segundo turno daquele que volta para casa.
MARIA ENXOFRE TEM UM ELEITORADO FORTE, MAS LIMITADO
A Maria Enxofre do Carmo possui uma vantagem importante: o voto bolsonarista.
Manaus concentra mais da metade do eleitorado do Amazonas e demonstrou, nas últimas eleições, uma força conservadora considerável.
Só que existe um problema: esse eleitorado não pertence exclusivamente a ela.
Isso eu também disse ontem nesta coluna.
O Roberto Cidade também conversa com a direita. O David Almeida tenta ocupar parte desse espaço. Além disso, candidatos a deputado estarão muito mais preocupados com as próprias eleições do que em entregar votos para a chapa majoritária.
Agora uma pergunta: Bolsonaro pode transferir votos? Sim, pode.
Mas se engana quem pensa que transferência política é automática. Não é. Não é mesmo. Afinal, o eleitor não é uma mercadoria que o líder coloca numa caixa e despacha para qualquer candidato.
Maria Enxofre pode chegar ao segundo turno? Claro que pode. Seria irresponsabilidade minha excluí-la, apesar de eu não nutrir absolutamente nenhuma simpatia por ela. Não foi à toa que lhe pus o apelido de Maria Enxofre.
O que ela ainda precisa demonstrar é se conseguirá transformar a força do bolsonarismo em Manaus numa candidatura suficientemente competitiva em todo o Estado. Na minha opinião, ela não consegue. É limitada demais, é despreparada demais, é antipática demais para conquistar mentes e corações de quem não é bolsonarista.
DAVID ALMEIDA CORRE O MAIOR RISCO
O David Almeida também continua no jogo. Dizer o contrário seria má-fé minha.
Afinal, o David foi prefeito da capital, possui um nome conhecido, tem grupo político e certamente não entrou na disputa para fazer figuração.
Sua situação, no entanto, parece ser a mais desconfortável. Explico:
O David deixou a Prefeitura de Manaus para disputar o governo e agora está espremido entre três forças: o Omar domina boa parte do interior; o Cidade dispõe da máquina estadual; e a Maria Enxofre tenta monopolizar o voto bolsonarista.
Para piorar, algumas pesquisas apontam o David com rejeição elevada. Isso significa que ele pode ter mais dificuldade para crescer justamente na fase em que precisa conquistar eleitores fora de sua base tradicional.
Aí você, eleitor do David, me pergunta: “O David ainda pode reagir?”. Evidentemente.
Mas, se a eleição fosse amanhã, eu o colocaria atrás do Omar e do Cidade na corrida pelo segundo turno.
O INTERIOR PODE MUDAR A MINHA APOSTA
O grande obstáculo para o Roberto Cidade está no interior.
Apesar de ser governador, ele ainda aparece muito atrás do Omar em vários levantamentos realizados fora de Manaus.
O Omar tem memória eleitoral, relações antigas e apoio de dezenas de prefeitos.
O Cidade possui a caneta, mas o Omar conhece quem segura o cabo da enxada política em cada município. Essa diferença pode ser decisiva.
Para chegar ao segundo turno, o Cidade precisa transformar apoio institucional em voto popular. Precisa fazer o prefeito, o vereador, a liderança comunitária e o candidato a deputado trabalharem de verdade por sua candidatura.
Apoio anunciado em fotografia é uma coisa. Voto depositado na urna é outra completamente diferente.
A CAMPANHA OFICIAL PODE EMBARALHAR TUDO
Também não podemos esquecer que a campanha ainda vai entrar em sua fase mais pesada.
Virão a propaganda eleitoral, os debates, os programas de televisão, os ataques, as denúncias e os vídeos recortados para as redes sociais.
Uma resposta desastrosa pode derrubar candidato, uma denúncia grave pode paralisar uma campanha, debate bem aproveitado pode devolver competitividade a quem parecia estar ficando para trás.
Portanto, quando eu digo que apostaria no Omar e no Cidade, estou falando do cenário de hoje.
Na política, em uma semana pode mudar muita coisa. Um mês, então, pode virar uma eleição de cabeça para baixo.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Minha gente, se a eleição fosse amanhã, o Omar Aziz estaria no segundo turno.
A outra vaga seria decidida no detalhe, mas minha aposta seria o Roberto Cidade.
A Maria Enxofre do Carmo aparece forte em alguns levantamentos, especialmente entre eleitores conservadores. O David Almeida possui nome conhecido e ainda pode reagir.
O Cidade, porém, reúne três vantagens difíceis de ignorar: a máquina do governo, a baixa rejeição e a possibilidade de continuar crescendo ao longo da campanha.
Mas… atenção! Isso que acabei de enumerar não garante a presença do Cidade no segundo turno, mas faz dele, neste momento, o adversário mais provável do Omar Aziz.
Em eleição apertada, não basta ter voto. É preciso ter espaço para conquistar novos votos.
O Omar já tem uma cadeira quase reservada na sala do segundo turno. O Roberto Cidade, a Maria Enxofre e o David estão no corredor, empurrando uns aos outros para ocupar a segunda cadeira.
Se a urna fosse aberta amanhã, eu diria (diria, viu? Não tô afirmando nada) que o Cidade conseguiria entrar, mas entraria por uma fresta — e com a Maria Enxofre e o David agarrados no paletó dele.
Quem viver verá, como diria o grande Paulo Frâncis.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.