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'Divórcio litigioso' entre EUA e China pode gerar nova ordem em comércio, finanças e política
Foto: Reprodução

. Eles concordam que o momento é de mudança estrutural, mas as consequências ainda são imprevisíveis

Entre os reveses para os próprios EUA, a desvalorização dos títulos da dívida pública do país acendeu o alerta para o risco de danos ainda maiores. Do comércio, o jogo poderia passar para o setor financeiro, envolvendo câmbio, fluxos de capital e reservas internacionais. Como a imprevisibilidade é o nome de Trump, não se pode afastar o risco de isso acontecer, desencadeando a maior reconfiguração em décadas do sistema monetário global, dizem especialistas ouvidos pelo GLOBO.

 

Eles concordam que o momento é de mudança estrutural, mas as consequências ainda são imprevisíveis.Nos últimos 40 anos, a relação entre as duas maiores economias do planeta tem sido de interdependência. O comércio viabilizou a industrialização da China, que aprofundou ainda mais as “cadeias globais de valor” — modelo de produção configurado na era da globalização — e garantiu bens mais baratos para os EUA.

 

Isso permitiu que os americanos mantivessem padrões de consumo, diz Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da UFRJ.No lado financeiro, a contrapartida do déficit comercial e do rombo de cerca de 6% do PIB nas contas dos EUA é uma dívida de US$ 36 trilhões financiada por investidores e governos do mundo. No fim de 2024, das reservas de US$ 3,4 trilhões detidas pela China, US$ 760 bilhões estavam em títulos do Tesouro dos EUA, os chamados Treasuries.

 

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O “casamento” entre as duas potências já vinha abalado nos últimos anos. A China vinha, desde a guerra comercial do primeiro governo Trump (2017-2020), diversificando parceiros comerciais e reservas. A pandemia complicou mais a relação. De volta à Casa Branca, Trump parece propor agora um “divórcio litigioso”.

 

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Um dos objetos de atenção agora é a extensão em que a desglobalização no lado do comércio e da produção também vai se fazer acompanhar por algum tipo de desglobalização relativa na área financeira — questiona Otaviano Canuto, pesquisador do Centro de Políticas para o Novo Sul que é radicado em Washington, onde atuou como vice-presidente do Banco Mundial.

 

Fonte: Uol

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