El País, La Nación e Associated Press destacam pressão pela saída do ministro, crise no STF e possíveis impactos políticos das revelações às vésperas das eleições
A crise que envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ganhou repercussão internacional após a divulgação de documentos da Polícia Federal que apontam para supostos contatos entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Jornais de diferentes países destacaram a pressão para que Moraes deixe a Corte, os questionamentos sobre sua relação com o empresário e o potencial impacto do caso sobre o STF e as eleições de 4 de outubro.
'SOB FOGO CRUZADO'
A Associated Press adotou como principal ângulo a inversão de posição de Alexandre de Moraes, destacando que o ministro que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe agora está “sob fogo cruzado” diante de supostos vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
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O próprio título da reportagem reforça esse enquadramento ao chamar Moraes de “a justiça brasileira que prendeu Bolsonaro” e descrever o banqueiro como “desonrado”. O texto apresenta o episódio como uma crise com potencial impacto político e institucional, ao destacar os pedidos de renúncia e impeachment contra Moraes, a proximidade das eleições de outubro e o envolvimento de diferentes políticos no escândalo.
'BOMBA ATÔMICA'
O jornal espanhol El País destacou o silêncio de Alexandre de Moraes diante das revelações, classificadas pelo veículo como uma espécie de “bomba atômica” a menos de cinco semanas das eleições. O jornal ressalta que as suspeitas sobre uma relação entre Moraes e Daniel Vorcaro já haviam surgido meses antes, após a revelação de que o escritório da mulher do ministro havia sido contratado pelo banqueiro, e afirma que, desde então, Moraes mantém um perfil discreto.
Também enquadra o episódio a partir da disputa interna de poder no STF, destacando que André Mendonça e Moraes estariam envolvidos há meses em uma “luta silenciosa pelo poder” dentro da Corte. Outro eixo da cobertura é o impacto das eleições sobre a composição do Supremo: o jornal afirma que o próximo presidente poderá indicar três novos ministros e, com isso, alterar a maioria atualmente favorável a Moraes.
Por fim, o veículo relaciona o caso ao cenário eleitoral ao destacar o envolvimento de Flávio Bolsonaro, apontando que Vorcaro teria dado US$ 10 milhões ao senador para supostamente financiar uma cinebiografia sobre seu pai.
'TERREMOTO POLÍTICO E INSTITUCIONAL'
O jornal argentino La Nación classificou o episódio como um “terremoto político e institucional” que abala os alicerces do STF. O veículo descreve Alexandre de Moraes como o “juiz mais poderoso do país” e destaca as evidências encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro, incluindo mensagens direcionadas ao ministro e supostos encontros entre os dois.
A publicação também dá destaque aos vínculos financeiros entre Vorcaro e a família de Moraes, incluindo o contrato de R$ 130 milhões com o escritório de sua mulher, e aponta para o possível caráter inédito de uma investigação criminal de um ministro do STF pela própria Corte. Por fim, relaciona o escândalo ao peso político de Moraes e às eleições presidenciais, ressaltando os conflitos anteriores do ministro com Bolsonaro, Trump e Milei
'ABALO AOS TRÊS PODERES'
A agência argentina Infobae destaca principalmente a pressão crescente pela renúncia de Alexandre de Moraes e apresenta o caso como um escândalo que abala os três Poderes brasileiros às vésperas das eleições. A publicação enfatiza os novos pedidos para que o ministro deixe o STF, a decisão de André Mendonça de tornar públicas as conclusões da PF e o compromisso de Luiz Edson Fachin de analisar as evidências.
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O veículo também dá destaque às mensagens, negócios milionários, encontros e benefícios de luxo envolvendo Moraes e sua família. Além disso, resgata a trajetória internacional do ministro, que passou de “guardião da democracia” a alvo do bolsonarismo, lembrando sua atuação contra a desinformação, o embate com Elon Musk e a condenação de Bolsonaro.