*Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Não é de hoje que o segmento do transporte de carga pesada é acusado de causar o afundamento do leito e das laterais das rodovias do País . Segundo depoimento de usuários de veículos leves, mais uma vez, deixaram sua impressão ao “PORTAL DO ZACARIAS” após ficarem impedidos de continuar viagem ao longo da BR-319 durante a semana que passou no trecho entre os municípios de Humaitá e Careiro Castanho, no sul do Estado.
Construída durante o regime militar, essa rodovia já foi motivo de elogios, principalmente ao ex-presidente militar, General cearense Humberto de Alencar Castelo Branco, por sua importância e condição estratégica na ligação de saída do Norte para qualquer parte do País.
Um especialista em rodovias com áreas problemáticas em meio ambiente e infraestrutura terrestre - e que já esteve presente no estudo da Perimetral Norte -, ouvido por este site de veiculação de notícias, diz que, “realmente, veículos longos transportando gado bovino, soja, madeira e/ou minério de ferro, corroboraram numa possível destruição de qualquer malha viária”.
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Segundo ele, na compressão que o veículo causa sobre a malha viária, principalmente se o mesmo estiver acima da tara permitida, todo o peso é jogado para baixo do leito ou lateral da pista (urbana ou rural), já que nem mesmo as rodovias projetadas para tal suportariam, pôs, “a tendência é o aprofundamento ocorrer”.
O especialista, ouvido na reportagem, é oriundo dos quadros do Governo e pediu anonimato devido ainda compor alguns estudos governamentais contratados no governo passado. Porém, ele disse que , “no caso da BR-319 e BR-230, a questão e os entraves, na verdade, é que nem o governo de plantão nem o meio ambiente querem ceder às novas normas de construção”. E ainda por cima, “há graúdos entraves políticos”.

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Ele aponta, no entanto, que, se o Governo tem o dinheiro para restaurar de vez, tanto a BR-319, quanto a BR-230 (a polêmica Transamazônica, iniciada na Ponta do Seixas, no estado da Paraíba e finalizada em Lábrea, no Amazonas), “governo, políticos e meio ambiente devem acordar em entre sí e arregaçarem as mangas, cumprindo o projeto original com e/ou sem alterações, caso o novo projeto exija tais mudanças ”.

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No caso da BR-230 - que faz a ligação entre os municípios de Humaitá a Lábrea, bem próximo ao entroncamento em direção ao distrito de Realidade, a 200 quilômetros da cidade de Humaitá, “ali é o marco divisor das áreas de florestas e de proteção, muitas das quais, já tomadas por madeireiras de beira de rodovia e não muita fiscalizadas pelos órgãos de controle ambiental.
Dessa parte da região em que os biomas da região vêm sendo alterados grandemente por ocupações ilegais, plantações de soja, pastos e madeireiras que se localizam, na parte maior desses empreendimentos, “e em terras da União, o Incra, Ibama ou o ICMBIO parecem não se incomodar com o avanço, até certo ponto criminoso, do agronegotóxico e invasões, também, em áreas sensíveis de proteção”, diz a fonte.
Conceitos à parte de quaisquer lados sobre possíveis estragos causados às rodovias no Sul do Amazonas por veículos longos e de médio porte ainda são vistos, flagrados e autuados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF-RO), a Reportagem constatou num rápido giroo pelo Sul do Estado coberto pelas duas rodovias federais .
Condutores com documentação irregular, ora por excesso de peso, ora transportando cargas ilegais de gado bovino, madeira extraídas (do que resta da floresta ainda em pé), soja e essências naturais (Copaíba, Andiroba e outros), são autuados. Porém, em menos de uma semana, “estão todos nas rodovias, e pegos outra vez infringindo a Lei”, confessa agente agropecuário estadual na divisa entre o Amazonas e Rondônia.
Com relação aos possíveis estragos causados às duas rodovias por veículos longos (carretas, baús, caminhões-toreiros, madeireiros e boiadeiros) em trânsito pela mesorregião amazonense entre os municípios de Humaitá, Lábrea, e/ou em direção a Km-180 (Manicoré) , Apui e à Capitall Manaus, analistas ambientais e fiscais, afirmam que, “a questão é o continuísmo de antes 2017 de fragilidade na fiscalização ambiental e fiscal, cujos órgãos foram, praticamente, desmantelados no governo bolsonarista”.
Eles esclarecem ainda que, “abriam a porteira para aumento de delitos menores em ordem crescente no campo ambiental e fiscal do Sul do nosso Estado”, até que a “Operação Arquimedes da Polícia Federal fez a limpa no Ibama do Amazonas”, o que culminou com a prisão do mega-madeireiro-fazendeiro e dono de frotas de caminhões pesados, Chaule Pozzobom, cujo complexo-sede fica na cidade de Ariquemes (RO).
Ainda assim, o número de veículos longos transportando madeiras ilegais (sem o DOF, Documento de Origem Florestal), gado bovino (sem a GTA, Guia de Transporte Animal) ) e produtos sem o SIF (Serviço de Inspeção Federal), não deixaram de ser apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (Base de Humaitá).
No período em que esteve na Presidência, Jair Bolsonaro (PL) (atualmente, ele se encontra homiziado em Orlando, nos Estados Unidos), estudos para a efetiva restauração da BR-319 sofreram problemas de continuidade dentro do próprio Governo, aponta o especialista da inicial desta Reportagem.
Segundo ele, “empresas foram contratadas e nos quatro anos passado, não avançaram nos serviços”. Apesar das frentes de recuperação de trechos críticos, a espinha de garganta é na região central entre os quilômetros 260, 320 ao 410, literalmente, os mais sofríveis”. Nessa região, a malha viária continua atingida por charcos, aluviões extemporâneos saídos do eleito e das laterais da via onde os veículos mais ficam atolados até ao eixo central.

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rumo de Humaita (Foto: Divulgação)
E, mais uma vez, veículos longos com cargas pesadas, diuturnamente, transportando madeira em tora (prancha em medida para o exterior), além de gado bovino, soja, combustíveis (diesel, gasolina´, álcool), produtos perecíveis (hortaliças, verduras, frangos e carne), produtos perecíveis e químicos (Amônia, Fertilizantes), muitos dos quais, supercarregados “ajudam ainda mais para completar o afundamento do leito e das laterais da BR-319”.
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Enfim, para que haja solução plausível e todos cheguem à restauração, em definitivo, da BR-319 e/ou à outra rodovia qualquer na Amazônia, os projetos devem seguir a linha da sustentabilidade, inclusive, “assegurando aos animais silvestres alternativa de passagem, de um lado a outro da pista, a animais silvestres, a exemplo do que ocorre na Europa, Estados Unidos, Países Baixos e em outros vizinhos, como a Guiana Francesa”, arrematou o especialista sob sigilo da fonte.
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