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Aridez avança e 3/4 do planeta ficaram mais secos nas últimas décadas, diz estudo da ONU
Foto: Reprodução

Relatório apresentado na COP da Desertificação, que acontece na Arábia Saudita, aponta que 40,6% das terras do mundo são áridas; aridez cresce no Nordeste e Amazônia corre risco

Um estudo lançado na última segunda-feira (9) por cientistas ligados à ONU alerta que 77,6% das massas de terra do planeta ficaram mais secas entre 1991 e 2020, na comparação com o período entre 1961 e 1990. O relatório foi lançado durante a 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, que acontece até esta sexta (13) em Riade, na Arábia Saudita. 2,3 bilhões de pessoas viviam em terras áridas em 2020, quase o dobro do que o registrado em 1991 (1,2 bilhão).

 

No total, 40,6% das terras do planeta passaram a ser consideradas áridas, excluindo a Antártida. No período analisado, 7,6% do mundo passou de não-árido para árido (uma área maior que a Índia apenas para essa categoria de mudança), ou de níveis mais suaves para mais extremos de aridez.

 

O estudo define “terra árida” como aqueles com índice de aridez menor que 0,65 – ou seja, áreas em que os acumulados de chuva equivalem a menos que 65% do total de água pode ser potencialmente evaporada, o que inclui os climas hiperárido, árido, semiárido e subúmido seco. 3,2% do planeta passou do clima úmido para o subúmido seco, a mudança de classificação mais comum entre todas.

 

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O Brasil, frisou o estudo, foi uma das áreas onde a tendência de seca foi “particularmente prevalente”, assim como no oeste dos EUA, na Europa, na Ásia (especialmente no leste do continente) e na África central. A região Nordeste esteve entre as áreas do mundo destacadas como as de maior expansão de novas terras áridas e de desertificação. Os países com maior extensão de áreas que recentemente se tornaram áridas em relação à sua área total, porém, ficam na África Oriental – Sudão do Sul e Tanzânia. A China, por sua vez, lidera o crescimento em números absolutos.

 

Caso as mudanças climáticas não sejam devidamente combatidas, alertam os pesquisadores, a tendência de aumento da aridez se agravará. A projeção é de que, em um cenário de aumento de emissões de gases do efeito estufa, mais de 5 bilhões de pessoas vivam em regiões áridas até 2100, contra as 2,3 bilhões registradas em 2020.

 

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Nesse cenário, também é esperado um processo de aridificação na Amazônia – que deve ainda ser “particularmente afetada” por incêndios florestais, assim como o Mediterrâneo. 20% das terras do mundo correm risco de transformações abruptas de ecossistema até 2100, com 55% das espécies sob risco de perda de habitat devido à aridez.

 

“Pela primeira vez, a crise de aridez foi documentada com clareza científica, revelando um perigo existencial afetando bilhões ao redor do mundo”, alertou Ibrahim Thiaw, secretário-executivo da convenção. “Ao contrário das secas – períodos temporários de pouca chuva –, a aridez representa uma transformação permanente e implacável. Secas terminam. Quando o clima de uma área se torna mais seco, porém, sua habilidade de retornar às condições prévias é perdida”, explicou.

 

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Fotos: Reprodução

 

“Os climas mais secos que agora afetam vastas terras ao redor do mundo não retornarão a como eles foram, e essa mudança está redefinindo a vida na Terra”, alertou o diplomata da Mauritânia. A causa dessas mudanças, conclui o estudo, é o aquecimento causado pelas emissões de gases do efeito estufa, principalmente na geração de energia, transporte, indústria e mudanças no uso do solo (desmatamento).

 

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“As mudanças climáticas causadas pelo homem são o culpado; conhecidas por tornar o planeta mais quente, elas também estão o tornando mais e mais seco. O resultado é a baixa fertilidade do solo, perdas de colheita, quedas na biodiversidade, intensas tempestades de areia e poeira, frequentes incêndios florestais e, é claro, maior insegurança alimentar e de acesso à água. A escassez de água relacionada à aridez está causando doenças e mortes, e estimulando migrações forçadas em larga escala ao redor do mundo”, observa um trecho do estudo. 

 

Fonte: O Eco

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