O repórter Bruno Tavares explica por que a cassiterita também virou alvo do garimpo criminoso.
A cassiterita despertou o interesse de garimpeiros ilegais de Roraima nos últimos dois anos. Na natureza, o minério é encontrado na forma de rocha bruta. Antes de ser vendido, passa por um longo processo de mineração, como o acompanhado pelo Jornal Nacional no laboratório da Escola Politécnica da USP (veja no vídeo acima).
Depois de triturada e moída, a rocha vira um pó bem fininho. A etapa seguinte acontece em outro equipamento, onde a cassiterita mais escura é separada da areia. Ela pode ser vendida na forma de concentrado ou, ainda, passar por um processo metalúrgico para a extração do estanho, um material cada vez mais procurado pela indústria.
Veja também

MCom e Correios doarão chips para ajudar na comunicação dos Yanomami
O estanho é maleável e resistente à ferrugem. Serve para soldar componentes eletrônicos, e também é usado para revestir o interior das latas de alimentos.
Hoje, a tonelada de estanho custa cerca de US$ 27 mil no mercado internacional, R$ 144 mil. No auge da pandemia, o preço passou dos US$ 50 mil e despertou a cobiça dos garimpeiros ilegais.
Um levantamento feito pelo Jornal Nacional revela que, entre 2021 e 2022, Roraima exportou 733 toneladas de cassiterita e seus derivados quando não havia nenhuma mina autorizada pela Agência Nacional de Mineração.
Os registros aparecem no portal que reúne informações sobre o comércio exterior brasileiro. Foram 40 toneladas em 2021 e 693 no ano passado, que somaram R$ 70 milhões.
Até 2019, o ouro aparecia em destaque como item de exportação de Roraima. Quando a Polícia Federal descobriu o esquema ilegal, o ouro deu lugar à cassiterita.
“Não é à toa que, no jargão dos garimpeiros, eles chamam a cassiterita de ouro negro. Saem junto a extração dos dois. E nós percebemos que o ouro é o principal atrativo, mas a cassiterita, por ser muito mais abundante, acaba custeando também a logística, a logística das aeronaves, dos helicópteros, combustível, alimentos, trabalhadores”, explica o delegado da Polícia Federal de Roraima Thiago Leão.
O professor Giorgio de Tomi coordena um grupo na USP que ensina técnicas de garimpo sustentável. Ele diz que a mineração é fundamental para o país, mas que não se pode ignorar os danos ambientais e sociais que ela provoca.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
“A mineração tem que suprir a sociedade com os bens minerais que ela requer para as suas necessidades, e apenas a mineração legal, o garimpo legal, é que consegue fazer isso. Se fizer direito, está contribuindo com a sociedade como um todo e com as comunidades locais também, trazendo infraestrutura, emprego, desenvolvimento local”, afirma.
Fonte: G1