Chiquinho e Domingos foram presos sob suspeita de encomendarem o assassinato da vereadora
Autor da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o ex-policial militar Ronnie Lessa relatou que teve três encontros entre 2017 e 2018 com os irmãos Brazão — Chiquinho, atual deputado federal, e Domingos, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Os dois políticos são apontados pela PF como os mandantes e contratantes do crime ocorrido em março de 2018. Assassino confesso, Lessa fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.
Segundo Lessa, o intermediário do contato com os Brazão era o ex-PM Edmilson de Oliveira, conhecido como Macalé. Ele foi morto em 2021 em um caso que é investigado como "queima de arquivo".
O primeiro encontro entre Lessa e Macalé e os irmãos Brazão ocorreu nas imediações do hotel Transamérica, na Barra da Tijuca, próximo à residência dos dois políticos.
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Nesse local, segundo a PF, os Brazão "passaram a limpo todo o contexto da demanda". Disseram que tinham um homem infiltrado no PSOL que lhes relatava que a vereadora Marielle Franco estava orientando a população a não aderir a novos loteamentos situados em áreas de milícia. Segundo a PF, os Brazão comandavam uma milícia na Zona Oeste do Rio.
"Fato é que eles estavam focados no propósito de executar a vereadora", diz o relatório da PF.
Segundo a PF, Lessa aceitou a proposta de matar Marielle porque viu no homicídio uma oportunidade de ascender no mundo do crime organizado e não ser um "mero sicário", segundo o texto. Como recompensa, ele ganharia lotes em um empreendimento imobiliário na Zona Oeste do Rio.
Segundo Lessa, Domingos era o mais "verborrágico" na conversa e fez uma exigência à dupla de matadores: eles não poderiam monitorar a vereadora a partir da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Na ocasião, Marielle e Chiquinho Brazão eram colegas na Casa Legislativa.
"Conforme narrado por Lessa (...), Domingos ressaltou que tal exigência partiu do então Diretor da Divisão de Homicídios da PCERJ, o Delegado Rivaldo Barbosa, fato que, inicialmente, o tranquilizou ante a notória pactuação da garantia de impunidade da ação que lhe foi encomendada", diz o relatório da PF.
Neste domingo, Barbosa foi alvo de um mandado de prisão preventiva decretado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Segundo a PF, ele era o "garantidor da impunidade" do caso dentro da Polícia Civil e chegou a arquitetar o crime junto com os irmãos políticos.
Um segundo encontro entre os envolvidos no homicídio ocorreu no mesmo local, próximo ao Hotel Transamérica. Neste, Lessa relatou estar incomodado com a orientação de que ele não poderia vigiar os passos da Marielle a partir da Câmara. Na visão dele, isso prejudicava a execução do crime.
Lessa foi avisado, no entanto, de que ele não poderia passar por cima das ordens do delegado Barbosa, conforme a versão dele.
O terceiro encontro ocorreu em abril de 2018 — portanto, um mês depois do crime. A reunião teria sido convocada pelos Brazão com o objetivo de tranquilizar os criminosos, já que o então chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, "estava atuando para defletir a investigação do crime", segundo o relato de Lessa.
No encontro, os irmãos Brazão ainda deram uma ordem que surpreendeu Lessa - ele teria que devolver a arma utilizada na execução, uma submetralhadora HK MP5. O ex-PM tinha o costume de se livrar das armas após o cometimento dos crimes.
"Domingos ressaltou que a arma deveria ser recolocada no lugar, sem especificar qual", diz o relatório da PF.
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Para atender a essa orientação, três dias depois da reunião, Lessa e Macalé entregaram a arma a dois milicianos de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, que jogaram as munições em um córrego que passava no local.
Fonte: O Globo