Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - As demissões na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no Amazonas também alcançaram comissionados sediados na mesorregião amazonense do Purus. As exonerações foram publicadas na edição extra do Diário Oficial da União (DOU) da segunda-feira, 23.
Em Lábrea, sul do Estado, o Governo demitiu o coordenador regional da Funai do Médio Rio Purus, Fernando Queiroz de Freitas, e o chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI),Antônio Carlos Galvão da Silva (empresário), que também tinha ingerência na Casa de Apoio de Saúde Indígena (Casai), Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e órgãos vinculados.
Carlos Galvão é aliado do prefeito Gean Campos Barros (MDB), assim como os demais indicados aos postos chaves da Coordenadoria da Funai e órgãos vinculados. Ele contou durante quatro anos com o apoio no cargo do ex-coronel Alfredo Alexandre de Menezes Júnior (PL). Menezes foi derrotado para o Senado, nas eleições de 2022, por Omar Aziz (PSD).
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As demissões, até então consideradas improváveis por aliados dos deputados Adjuto Afonso (União Brasil), deputado federal Átila Lins (PSD) e do senador Eduardo Braga (MDB), "repercutiu como uma bomba no ninho dos clãs Galvão, Maia, Gerlando, Barros, Lins, Braga e Afonso”, disseram lideranças indígenas.
Com as mudanças, caciques das Terras Indígenas (TI) das aldeias dos rios Ituxi, Médio Rio Purus e do entorno das reservas Apurinã, Karipuna e outras se disseram esperançosos de que o Governo Federal abondone os critérios políticos e patidários que sempre nortearam indicações à Funai e órgãos vinculados”.
Notoriamente satisfeitos, lideranças indígenas de Boca do Acre a Lábrea, em contato com o “PORTAL DO ZACARIAS”, destacaram que, por importância, quem deveria assumir o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) “nada mais justo do que sanitaristas de carreira”, como ocorreu no DSEI de alguns estados do Sul e Sudeste brasileiro.
Para os demais órgãos setoriais vinculados, entre os quais a Casa de Apoio À Saúde Indígena (Casai), deveriam ser indicados profissionais médicos reconhecidamente capazes, a exemplo de médicos-administradores e hospitalares,. E para as unidades de atenção, enfermeiros de igual competência. Aos departamentos,“indígenas com formação reconhecida”.
Para a gestão da Coordenadoria da Funai, em Lábrea, a expectativa é que a ministra Sônia Guajajara, dos Povos Originários, designe profisional com perfil que atenda as demandas dos povos da região e que, se possível, “selecione profissionais indígenas com capacidade de gestão em políticas públicas voltadas para o conjunto dos nossos Povos”, diz o cacique Timóteo Paumari, da Ilha das Onças - ele é formado em pedagogia pela Universidade Nacional de Brasília (UNB).
AUDITORIAS JÁ EM LÁBREA!
É pensamento geral em meio a possíveis irregularidades à frente da Funai e órgãos vinculados ao Ministério da Saúde (MS) que o Governo ouça as lideranças indígenas antes das nomeações e crie uma força-tarefa para, através sindicâncias e auditorias, apurar supostos desvios de recursos e contratações ilegais.
As lideranças ouvidas pelo "PORTAL DO ZACARIAS" sugeriram à ministra Sônia Guajajara que crie uma Comissão Técnica de Pesquisa e Informação, conjuntamente com a Fundação Nacional dos Povos (Funai), composta de profissionais da equipe técnica do Governo, com apoio do Tribunal de Contas da União (TCU), a fim de se apurar irregularidades em convênios e contratos da Funai, DSEI, Sesai e Casai com fornecedores e prestadores de serviços.
Na outra ponta da alinha, eles demonstraram interese que sejam investigados supostos contratos de veículos, aquisição de remédios, alimentos e compra de marmitex (quentinhas ao preço de até R$ 40 a unidade), além de aluguéis de prédios do prefeito Gean Barros (MDB) e de aliados dele à Funai, DSEI e a outros órgãos.
No rol das apurações, na última reunião de lideranças o “PORTAL DO ZARCARIAS” teve acesso à informação de que “os coordenadores da Funai e DSEI (Lábrea) alugariam seus próprios barcos a esses órgãos”.
Outro ponto proposto diz respeito ao retorno ao serviço de comissionados que moram em Manaus e de uma suposta médica que faria pós-graduação em Medicina na Argentina”.
"Esses contratados devem ser investigados e seus salários bloqueados com ressarcimento imediato aos cofres da União", diz um indígena apurinã à frente de uma entidade sediada na cidade de Lábrea.
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Enfim, as lideranças, diante das exonerações na Funai-AM e nos órgãos vinculados ao Ministério da Saúde e da Justiça que prestam assistência aos povos indígenas, é que o Governo apure o suposto contrato de uma ONG (Organização Não-Governamental) contratada pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) para gerenciar recursos repassados pelo Ministério da Saúde (MS) à Secretaria de Saúde Indígena (Ssesai).