Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - O Brasil conta séculos de exploração de suas riquezas por europeus, norte e sul-americanos, além de asiáticos. Na Amazônia, a situação não é diferente e só perde para a República do Congo, na África, em desmatamentos criminosos, cujos autores em sua maioria ainda está impune.
Nos últimos anos, na Amazônia Ocidental e Oriental, bem como na Amazônia Legal, os desmatamentos mais que dobraram. No Sul do Amazonas, os municípios de Canutama, Lábrea, Pauini, Boca do Acre (mesorregião do Purus), Humaitá, Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba, Nova Olinda do Norte a Autazes (Calha do Rio Madeira), “o número de queimadas e desmatamentos são vorazes e ferozes”, denuncia pesquisadora independente.
Para a pesquisadora, que acaba de retonar do Sul do Amazonas assustada com o avanço do agronegotóxico em Apui, Humaitá e sul de Lábrea, as soluções, com dinheiro à mão, “é o novo Governo retomar a fiscalização desmontada por Jair Bolsonaro, fazer autuações e prisões em série, além de execução de autuados por suas multas milionárias dos calotes já aplicados à União".
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Lideranças rurais continuam preocupadas com as invasões vindas
dos vizinhos acreanos e rondonienses, sob o patrocínio de
grileiros, fazendeiros e madeireiros sudesinos e sulistas
Nos estados que formam o temido “Arco do Desmatamento” (Acre, Rondônia e Amazonas), “só o suposto consórcio do crime ambiental, na prática, já desmatou o equivalente a quase cinco estados de São Paulo e mais de cinco mil campos de futebol".
Na opinião dela, isso significa que o futuro da Amazônia Brasileira, e sobretudo do Amazonas - ainda detentor de ao menos 88% de seu bioma intacto -, “é incerto e posto em dúvida, se o dinheiro destinado ao Fundo Amazônia pela Noruega e pela Alemanha será o bastante para se evitar a escalada dos desmatamentos”.
A pesquisadora, que atua fora do eixo governamental e sem vínculos com Organizações Não-Governamentais (ONGs), disse ao “PORTAL DO ZACARIAS” que para frear os crimes ambientais e/ou amenizá-los, o Governo Federal tem que prender e condenar ao menos 25 desmatadores já identificados”(veja lista de acusados ao final da reportagem).
"Eles pertencem a vários conglomerados de incorporadoras do traiding madeireiro interno e externo e que que exporta madeira para a Europa, aos Estados Unidos, Ásia e África, diz a pesquisadora que já trabalhou para o Governo Temer e Bolsonaro.
Atualmente, os desmatamentos mais agressivos no Estado do Amazonas, diz o estudo sob a responsabilidade da fonte, estão localizados nos municipios de Canutama, Lábrea, Novo Aripuanã, Manicoré e Apui. Nesse último, “o agrogronetóxico bovino e madeireiro já teria descaracterizado, totalmente, o bioma e a cultura dos povos tradicionais amazonenses”, disse ela.
"Nem mesmo os Territórios Indígenas e áreas de proteção federais escaparam à sanha dos ocupantes advindos do Mato Grosso e do Sul do país", assinalou a pesquisadora.
Na tripla divisa do Amazonas com Rondônia e Acre, as ações consideradas ilegais de velhos grileiros, madeireiros, garimpeiros, fazendeiros e servidores públicos conhecidos da Polícia Federal e das Operações Ágata (Exércxito Brasieliro) continuam em ação e ganharam fôlego no governo passado.
A madeira extraída ilegalmente em áreas protegidas continua sendo serradas em serrarias dos distritos de Vista Alegre do Abunã, Extrema, Nova Califórnia e Jacinópolis no lado rondoniense de Porto Velho. Quando as operações acabam, “tudo volta como antes e com grande fúria deles para botar as florestas abaixo”.
Madeireiros e fazendeiros, conforme declarações de lideranças rurais de uma das áreas mais desmatadas tiradas das populações tradicionais por invasores advindos dos lados acreanos e rondonienses (Vila do Curuquetê, Boca do Ituxi, Rios Siriquiqui, Sapatini e Iquiri), “agem nas áreas de reservas e de proteção, roubando e matando”. O desabafo é de agricultor cujo irmão e tios foram assassinados no Seringal São Lourenço, no Sul de Lábrea.
Dessa região amazonense, segundo moradores locais, até ao assassinato do lider rural Adelino Ramos, em 27 de maio de 2011, no distrito de Vista Alegre do Abunã (Porto Velho), por pistoleiros ainda impunes, ao menos o equivalente em áreas desmatadas perfazem aos territórios das capitais Curitiba (PR), São Paulo (SP)e Vitória (ES); terras roubadas dos caboclos e indígenas, além de essências naturais contrabandeadas para outros países.
No Vilarejo do Curuquetê, no sul do município de Lábrea, um povoado miscegenado com ascedência sudestina, sulista e mato-grossense, os amazonenses se tornaram minoria na região. De lá pra cá, muitos perderam o domínio de suas terras, dos rios para pescar e sobreviver da coleta de sementes a partir dos anos 80 quando as fronteiras agrícolas dos vizinhos Acre e Rondônia avançaram sobre o lado amazonense.
Os desmatamentos com roubo das riquezas dos povos tradicionais amazonenses continuam sob o patrocínio de grileiros, madeireiros e fazendeiros, a maioria ligada ao maior consórcio madeireiro da região. O paraense Chaules Pozzobom, apesar de preso durante operações da Polícia Federal, “continuaria dando as cartas aos chefes locais de crimes ambientais no sul do Amazonas”, atestam fontes consultadas no distrito de Vista Alegre do Abunã, no lado rondoniense da Capital Porto Velho.
A LISTA COMPLETA DOS MAIORES
DESMATADORES DO BRASIL
Os 25 maiores desmatadores com o Fisco Federal do Brasil somariam mais de R$ 50 milhões em multas entre 1995 e 2019. À lista de 2020-24, o “PORTAL DO ZACARIAS” não teve acesso até o momento.
1º – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – R$ 421 mi
2º – Agropecuária Santa Bárbara – R$ 323 mi
3º – Antonio José Junqueira Vilela Filho – R$ 280 mi
4º – Siderúrgica Norte Brasil S/A – R$ 272 mi
5º – Sidepar Siderúrgica do Pará S.A. – R$ 258 mi
6º – Gethal-Amazonas S.A. Indústria de Madeira Compensada – R$ 231 mi
7º – Gusa Nordeste S.A. – R$ 202 mi
8º – Agropecuária Vitória Régia S/A – R$ 170 mi
9º – Companhia Siderúrgica do Pará – COSIPAR – R$ 157 mi
10º – José Alves de Oliveira – R$ 105 mi
11º – José Carlos Ramos Rodrigues – R$ 101 mi
12º – Fernando Luiz Quagliato – R$ 100 mi
13º – Gilmar Texeira – R$ 99 mi
14º – Hamex Comércio de Produtos Alimentícios Ltda – R$ 94 mi
15º – USIMAR – Usina Siderúrgica de Marabá S/A – R$ 88 mi
16º – Siderurgica Iberica S/A – R$ 87 mi
17º – Giovany Marcelino Pascoal – R$ 86 mi
18º – Tarley Helvecio Alves – R$ 70 mi
19º – Destilaria Gameleira Sociedade Anônima – R$ 69 mi
20º – Carlos Alberto Mafra Terra – R$ 66 mi
21º – Jose de Castro Aguiar Filho – R$ 61,8 mi
22º – Lider Ind. e Com. de Carvão Vegetal Ltda EPP – R$ 61,5 mi
23º – Paulo Diniz Cabral da Silva – R$ 61,1 mi
24º – Siderúrgica Alterosa S/A – R$ 60 mi
25º – Jeovah Lago da Silva – R$ 58 mi
EM TEMPO
Chaules Pozzobom, preso druante Operação da Policia Federal, é tido como um dos maiores donos de serrarias e planos de manejo suspeitos no lado amazonense do sul de Lábrea, Canutama e Apui, na Transamazônica (BR-230) e Humaitá.
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