NOTÍCIAS
Política
Parecer do governo avalizou jabuti da MP da Mata Atlântica que agora Planalto quer vetar
Foto: Reprodução

Nota técnica do Ministério de Minas e Energia reflete lobby do setor de gás e divisões dentro da Esplanada de Lula na agenda energética

Uma nota técnica elaborada pelo Ministério de Minas e Energia em março avalizou os pontos mais controversos da medida provisória da Mata Atlântica, que foi aprovada pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira (24), mas que o governo agora promete vetar.


O documento, assinado pela assessoria especial de Meio Ambiente do ministério, elogia a previsão de dispensa de estudos prévios de impacto ambiental para a construção de gasodutos nas áreas do bioma, bem como a possibilidade de suprimir a vegetação sem compensações.

 

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é apoiador das alterações e tem defendido um investimento maciço em gasodutos desde que tomou posse.

 

Veja também

 

Segunda instância confirma condenação e Bolsonaro é obrigado a pagar R$ 50 mil

 

Haddad: Sistema tributário é grande responsável por baixo crescimento econômico

 

Esses são justamente os tópicos mais críticos da MP, inseridos na forma de jabutis – jargão político que define trechos inseridos em projetos de lei ou medidas provisórias sem relação com o propósito original do texto.


Inicialmente, a MP enviada ao Congresso ainda por Jair Bolsonaro no final do mandato só prorroga por 180 dias o prazo para que proprietários de imóveis rurais aderissem ao Programa de Regularização Ambiental.


Ao assegurar que a MP será vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, definiu o texto aprovado pela Câmara como “uma agressão à mata atlântica”.


Já a pasta controlada por Silveira elogiou a medida provisória como uma forma de agilizar a autorização de derrubada das matas “sem descuidar da preservação do bioma mata atlântica”.

 

O principal argumento do parecer do Ministério de Minas e Energia é que esses itens já estavam previstos em em uma portaria do Ministério do Meio Ambiente de 2011, o que ambientalistas contestam.


O movimento do MME traz como pano de fundo uma intrincada rede de lobby do setor de gás que atua pela expansão de gasodutos no Brasil há anos, e que pressionou pela inclusão dos jabutis na MP já em março, quando ela foi aprovada na Câmara dos Deputados em março deste ano. Quando a matéria foi analisada pelo Senado, no último dia 16, eles foram retirados. Na última quarta-feira (24), a Câmara atropelou o Senado e colocou os jabutis de volta.

 

Segundo apurou a equipe da coluna, o empresário Rubens Ometto, do Grupo Cosan, esteve no Congresso nesta semana para articular a retomada dos pontos que favorecem a expansão de gasodutos sobre áreas de mata atlântica. A medida também beneficia outros grupos do setor, como o de Carlos Suarez.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram

 

Fonte: O Globo

LEIA MAIS
Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.