*Por Antônio Zacarias - Às vezes, a verdade não precisa de um documentário; bastam 33 segundos de um amadorismo revelador. O vídeo recentemente lançado por Maria Enxofre do Carmo, pré-candidata ao Governo do Amazonas, ultrapassa as fronteiras do tecnicamente medíocre. Não se trata apenas de uma produção artificial ou mal iluminada. É um atestado de óbito político para quem tentava se vender como o "novo".
Desde sua aliança com Alberto Neto, Maria Enxofre do Carmo ensaiou o papel da gestora imaculada, a empresária moderna que limparia os porões da política. Mas a fantasia derreteu sob o calor de uma crise real. Diante do áudio estarrecedor de Flávio Bolsonaro solicitando R$ 134 milhões ao dono do Banco Master - instituição sob a sombra de escândalos financeiros sem precedentes —, a candidata do PL não tropeçou por impulso. Ela teve 48 horas de silêncio estratégico para refletir, consultar seus gurus e limpar a garganta.
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O resultado dessa "profunda" reflexão? Uma declaração que beira o escárnio: ela "não viu nenhuma irregularidade".
Dizer que um senador pedir patrocínio milionário a uma instituição cercada de suspeitas é algo banal não é apenas um erro de julgamento; é uma ofensa à inteligência do eleitor. Ao afirmar, com uma naturalidade de dar calafrios, que essa é uma prática "que nós já estamos acostumados a ver", Maria Enxofre do Carmo cometeu o sincericídio definitivo.
Nesse exato momento, ela implodiu o castelo de cartas do moralismo da extrema direita. O discurso da "nova política" era, afinal, apenas um verniz para proteger o que há de mais arcaico e nebuloso nas relações de poder. Se ela considera normal o que o Brasil inteiro considera escandaloso, ela não está combatendo o sistema, ela é a parte mais complacente dele.
Ao relativizar o injustificável para blindar a família Bolsonaro, Maria Enxofre do Carmo não apenas defendeu um aliado; ela escancarou seu próprio código de ética.
O vídeo pode ser um fracasso de audiência, mas é uma confissão absoluta de caráter. Ficou claro: a "mudança" prometida é apenas a continuidade de tudo aquilo que o Amazonas e o Brasil não aguentam mais.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.
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