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A nove meses da eleição, aliados de Flávio Bolsonaro fazem contas, miram São Paulo e tentam virar jogo contra Lula
Foto: Reprodução

Para diluir a resistência na Faria Lima e dentro da própria direita, Flávio Bolsonaro quer ter seu próprio Posto Ipiranga

A menos de nove meses das eleições presidenciais, os aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já estão com a calculadora na mão e traçam a estratégia para tentar barrar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No radar do bolsonarismo, dois pontos são considerados decisivos: São Paulo e o Nordeste.

 

No QG da campanha, a avaliação é clara: para ter chances reais contra Lula, Flávio vai precisar turbinar o desempenho em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. O plano é conquistar pelo menos três pontos percentuais a mais do que Jair Bolsonaro obteve no estado em 2022.

 

Na prática, isso representa cerca de 772 mil votos extras, dentro de um universo de 34,6 milhões de eleitores paulistas. Na última eleição, Bolsonaro venceu em São Paulo com 55,23% dos votos válidos (14,2 milhões), enquanto Lula ficou com 44,77% (11,5 milhões). Mesmo ganhando em 547 dos 645 municípios, o ex-presidente perdeu feio na capital, onde Lula abriu vantagem de quase meio milhão de votos.

 

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A ordem agora é ampliar essa diferença, já que o bolsonarismo trabalha com o cenário de uma nova eleição apertada e polarizada, como em 2022, quando Lula venceu Bolsonaro por apenas 2,1 milhões de votos, a menor margem desde a redemocratização.

 

NORDESTE NA MIRA

 

Outro desafio é reduzir o prejuízo no Nordeste, especialmente na Bahia e no Ceará, redutos históricos da esquerda. Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que o cenário pode ser menos favorável ao PT em 2026.

 

Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, com cerca de 11 milhões de eleitores, cresce a aposta de que a hegemonia petista, mantida desde 2007, pode chegar ao fim. Já no Ceará, a avaliação é semelhante. Interlocutores do senador acreditam que a crise na segurança pública pode pesar contra Lula nesses estados.

 

“Lula não terá a mesma vantagem no Nordeste como teve em 2022”, disse um aliado de Flávio, sob condição de anonimato. Vale lembrar que foi justamente na região que o petista atropelou Bolsonaro, com 69,34% dos votos, contra apenas 30,66% do então presidente.

 

TARCÍSIO É PEÇA-CHAVE

 

Com esse mapa eleitoral em mãos, o núcleo duro da campanha defende fidelizar os eleitores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país. Desde a redemocratização, quem ganha Minas, leva o Planalto.

 

Lula também já se movimenta em São Paulo. Nos bastidores, o presidente articula uma chapa forte contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito à reeleição. A ministra Simone Tebet já transferiu seu domicílio eleitoral para o estado e deve disputar o Senado ao lado de Fernando Haddad, provável candidato ao governo paulista.

 

Tarcísio, por sua vez, já deixou claro que seguirá alinhado ao bolsonarismo. Após visitar Jair Bolsonaro na Papuda, declarou apoio à pré-candidatura de Flávio e falou em “projeto de longo prazo” para São Paulo.

 

Para o cientista político Paulo Kramer, a reeleição de Tarcísio é fundamental. “A dobradinha Tarcísio/Flávio será indispensável para a volta da direita ao Planalto”, afirmou.

 

ALERTA NOS BASTIDORES

 

Nem todo mundo vê o cenário com tanto otimismo. Especialistas alertam que, além de unir a direita, Flávio terá de enfrentar a máquina federal. “Lula tem o governo nas mãos e isso pesa muito numa eleição”, avalia o professor Renato Perissinotto, da UFSC.

 

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Ele também chama atenção para o tom da campanha. “O bolsonarismo deve insistir em pautas ideológicas e comportamentais, enquanto a esquerda tenta se equilibrar, especialmente na questão da segurança pública, onde ainda patina.” 

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