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A universidade de espiões onde ninguém usa o nome real
Foto: Reprodução

O cenário parece saído de um suspense europeu. Prédios austeros do início do século 20, portões metálicos imponentes e um clima discreto

Você entra em uma sala de aula comum. Carteiras, professor, alunos atentos. Tudo parece normal. Mas aí vem o detalhe curioso: o professor não sabe o nome verdadeiro de parte da turma. E não é por desorganização. É por segurança nacional.

 

Pois é. Isso acontece em uma universidade francesa que ganhou o apelido nada discreto de “universidade de espiões”. E, diferente de filmes de Hollywood, ali não tem carros explodindo nem martínis batidos. O perigo é bem mais silencioso.

 

O cenário parece saído de um suspense europeu. Prédios austeros do início do século 20, portões metálicos imponentes e um clima discreto. Tudo isso fica no campus da Sciences Po Saint-Germain-en-Laye, nos arredores de Paris. A universidade abriga um curso com um nome pouco chamativo, mas extremamente estratégico: Diploma em Inteligência e Ameaças Globais. Na prática, é um programa criado em parceria com a Academia de Inteligência da França para formar futuros agentes e aprimorar espiões que já estão em atividade.

 

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A ideia nasceu em um momento delicado. Após os atentados terroristas de 2015 em Paris, o governo francês decidiu reforçar seriamente seus serviços de inteligência. Foi aí que surgiu a demanda por um curso universitário capaz de unir teoria acadêmica e prática de espionagem moderna. O resultado foi esse diploma que mistura dois mundos: jovens universitários comuns e agentes secretos experientes, muitos deles na faixa dos 40 ou 50 anos.

 

A universidade de espiões onde ninguém usa o nome real – Fatos Desconhecidos

Foto: Reprodução

 

O responsável por uma das disciplinas é o professor Xavier Crettiez. Ele admite algo impensável em qualquer outra universidade. Os espiões assinam a lista de presença apenas com o primeiro nome, evitam fotos e costumam se sentar longe dos alunos mais jovens. Alguns, em imagens oficiais, aparecem propositalmente de costas. Um ponto interessante destacado pelos professores é que o trabalho de inteligência hoje vai muito além de ataques armados.

 

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Existe, por exemplo, a Tracfin, agência francesa especializada em investigar lavagem de dinheiro, corrupção e crime organizado. Especialmente no sul da França, onde o tráfico de drogas movimenta cifras gigantescas. Ou seja, o inimigo nem sempre está armado. Às vezes, ele está de terno.Entre os estudantes mais jovens está Alexandre Hubert, de 21 anos. Ele diz que entrou no curso para entender melhor a guerra econômica entre Europa e China.

 

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