Registros do tipo aumentam quase 300% de aumento desde 2023; especialistas explicam que combinação de ambientes disfuncionais com falta de tempo para descanso estão nas raízes do problema
O número de trabalhadores afastados por problemas relacionados ao esgotamento profissional disparou no Brasil nos últimos anos. Dados reunidos pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com informações do INSS, mostram que os afastamentos por condições ligadas à organização do modo de vida passaram de 1.760 em 2023 para 6.985 em 2025, um aumento de 296%. Os registros consideram licenças superiores a 15 dias.
O avanço aparece em um cenário mais amplo de crescimento dos problemas de saúde mental relacionados ao trabalho. Em 2024, o INSS concedeu 472,3 mil auxílios-doença associados a transtornos mentais, como depressão, ansiedade e outras condições. Nos seis primeiros meses de 2025, foram registrados 271.076 afastamentos por transtornos mentais.
Especialistas apontam que a pressão por resultados, jornadas intensas, excesso de cobranças, falta de reconhecimento e dificuldades para conciliar trabalho e vida pessoal estão entre os fatores que podem contribuir para o esgotamento. O burnout pode provocar sensação de exaustão, dificuldade para cumprir tarefas, alterações no sono, irritabilidade e queda no desempenho profissional.
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Os números, porém, podem ser ainda maiores. Isso porque os dados oficiais não incluem trabalhadores que permanecem menos de 15 dias afastados nem pessoas que enfrentam sintomas, mas não comunicam a situação ao empregador ou não conseguem obter um diagnóstico relacionado diretamente ao trabalho.
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Foto: Renata Amoedo
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O crescimento dos afastamentos coloca a saúde mental no centro das discussões sobre as condições de trabalho no país. Para especialistas, além do tratamento dos trabalhadores já afetados, empresas precisam identificar fatores de risco no ambiente profissional e adotar medidas preventivas para evitar que o esgotamento avance até comprometer a capacidade de trabalhar.