Articulação também busca conter pressão por impeachment de ministros do STF. Possibilidades discutidas incluem anistia e indulto
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avalia negociar um acordo político que envolva um possível perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a busca por apoio de parlamentares da direita para continuar no comando da Casa em 2027. A articulação, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (29), também envolveria esforços para reduzir a pressão por pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre as possibilidades discutidas nos bastidores estão um indulto presidencial ou a aprovação de uma anistia pelo Congresso Nacional. A primeira alternativa dependeria de uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto a segunda exigiria a tramitação e a aprovação de uma proposta legislativa. Até o momento, não há confirmação de um acordo fechado nem de um projeto formal apresentado.
A movimentação teria como objetivo aproximar Alcolumbre de setores ligados ao bolsonarismo, que podem ter peso importante na disputa pela presidência do Senado. Com o fortalecimento da direita na próxima legislatura, nomes como os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) aparecem entre as alternativas cogitadas por grupos que defendem uma mudança no comando da Casa.
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Outro ponto das conversas envolve a pressão de parlamentares pelo afastamento de integrantes do STF, especialmente do ministro Alexandre de Moraes. Segundo relatos atribuídos a interlocutores políticos, Alcolumbre defende a necessidade de pacificação institucional e de retomada do diálogo entre os Poderes. Um eventual entendimento poderia reduzir os conflitos entre o Congresso e o Supremo, mas também provocaria divergências entre parlamentares favoráveis e contrários a medidas de perdão.
A iniciativa, entretanto, enfrenta resistências. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), segundo relatos publicados sobre a negociação, rejeita a possibilidade de trocar apoio político por anistia a Bolsonaro. Além disso, o governo Lula não demonstrou disposição para conceder o benefício, e ainda existem obstáculos jurídicos e políticos para qualquer medida que alcance condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.
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A eleição para a presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027, deve intensificar as negociações entre os diferentes grupos políticos. Enquanto Alcolumbre busca consolidar apoio para permanecer no cargo, a discussão sobre o futuro jurídico de Bolsonaro e os pedidos de impeachment de ministros do STF pode se tornar parte das disputas pela composição da próxima Mesa Diretora. Por enquanto, as conversas permanecem nos bastidores, sem garantia de que resultarão em um acordo.