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Alexandre de Moraes é notificado nos EUA para responder ação movida por empresa ligada a Trump
Foto: Divulgação

Moraes terá prazo de 21 dias para responder à petição inicial apresentada em um tribunal da Flórida

A Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça (MJ) começaram a discutir uma reação do Brasil à decisão da Justiça dos Estados Unidos que autorizou a notificação do ministro Alexandre de Moraes sobre um processo aberto contra ele nos Estados Unidos.

 

O advogado norte-americano Martin De Luca — responsável pela plataforma de vídeos Rumble e da Trump Media & Technology Group — afirmou nesta segunda-feira (25) que Moraes foi notificado sobre o processo judicial via e-mail.

 

As duas companhias recorreram à Justiça norte-americana para tentar barrar a aplicação de ordens de restrição e bloqueio emitidas pelo magistrado brasileiro. Elas argumentam que as determinações de Moraes configuram censura e violam garantias constitucionais dos EUA.

 

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A avaliação no Supremo é que o caso envolve cooperação internacional — considerando que a ação é movida em território norte-americano, inclusive, por uma empresa ligada ao presidente Donald Trump — e, por isso, são necessárias as tratativas incluindo a AGU e o MJ.

 

Essa análise envolve entender quais instrumentos jurídicos e diplomáticos podem ser aplicáveis ao caso.

 

Isso porque a lei brasileira estabelece que um magistrado do país não responde pessoalmente por decisões judiciais proferidas no exercício regular da função. Como é o caso das decisões questionadas pelas plataformas.

 

O QUE DIZ A LEI BRASILEIRA


No sistema jurídico brasileiro, o juiz é responsabilizado apenas em situações excepcionais, como agir de forma intencional ou fraude ou ainda "recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar de ofício [iniciativa própria] ou a requerimento da parte".

 

Já a Constituição prevê a responsabilidade objetiva do Estado pelos danos causados por seus agentes.

 

Em março, em um julgamento sigiloso, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de cumprimento de uma carta rogatória da Justiça dos Estados Unidos para intimar Moraes.

 

Para o STJ, a legislação não autorizava a medida porque o ministro atuou no exercício da função. Com isso, Moraes não pode ser citado para se manifestar no processo dos Estados Unidos.


Portanto, a notificação via e-mail autorizada pela Justiça da Flórida e realizada nesta segunda-feira (25) contraria a decisão. Esse foi um procedimento fora do formato tradicional — que deveria ocorrer via trâmites diplomáticos.

 

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A justiça norte-americana atendeu a pedidos das plataformas. Elas alegaram que o modelo via diplomacia está paralisado no Brasil. Na prática, o envio do documento por e-mail tem como objetivo destravar o andamento do processo nos EUA.


 

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