Senador reage a possível exclusão da chapa petista, pressiona aliados e ameaça romper com o grupo de Lula no estado
Às vésperas de ser preterido na composição da chapa majoritária do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para as eleições de outubro, o senador Angelo Coronel (BA) anunciou neste sábado (31) que deixará o PSD, intensificando o embate com o PT e ampliando a tensão na base do presidente Lula na Bahia.
A decisão ocorre em meio às articulações do PT para lançar uma chapa pura no estado, com os ex-governadores Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner como candidatos ao Senado, o que inviabilizaria a tentativa de reeleição de Coronel.
Principal aliado dos governos petistas na Bahia desde 2011, o PSD comanda atualmente 115 prefeituras no estado e é liderado pelo senador Otto Alencar, aliado histórico de Lula. Apesar disso, Coronel vem demonstrando insatisfação crescente com o espaço destinado ao partido na aliança estadual.
Veja também

Haddad escolhe Guilherme Mello para vaga estratégica na diretoria do Banco Central
STF cobra esclarecimentos sobre bônus a policiais por mortes em operações no Rio de Janeiro
Na última quarta-feira (28), Angelo Coronel esteve em São Paulo acompanhado do filho, o deputado federal Diego Coronel (PSD-BA), onde se reuniu com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. No encontro, o senador criticou a condução política do PT baiano e defendeu que o PSD se mantenha fora da coligação de Jerônimo caso ele seja excluído da chapa.
A movimentação causou desgaste interno e gerou atritos com Otto Alencar, aliado político e pessoal de Coronel há quase quatro décadas. Dentro do partido, a ida do senador à cúpula nacional foi interpretada como uma quebra de confiança.
Kassab ouviu as queixas, mas sinalizou que a definição sobre o palanque na Bahia caberia a Otto Alencar. No mesmo dia, comunicou o senador baiano sobre o teor da conversa.
O contexto da crise se intensificou após o PSD reforçar o discurso de candidatura própria à Presidência, com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se soma a Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) como possíveis nomes do partido em 2026 apesar de, na Bahia, a legenda seguir oficialmente aliada ao PT.
Coronel classificou a estratégia como incoerente, lembrando que Caiado é aliado de ACM Neto (União Brasil), principal líder da oposição no estado. Em entrevista, reafirmou que não abrirá mão da candidatura ao Senado e defendeu que o PSD adote uma posição de neutralidade caso não seja contemplado na chapa governista.
Diante da resistência interna, o senador confirmou que buscará outra legenda para concorrer, sendo atualmente cortejado pelo PSDB.
Otto Alencar, por sua vez, reiterou que o PSD permanecerá na coligação de Jerônimo Rodrigues e descartou qualquer candidatura avulsa. Segundo ele, a maioria dos deputados e prefeitos da sigla defende a manutenção da aliança com o PT, independentemente da composição da chapa.
O governador também fez gestos ao PSD nos últimos meses, como a indicação, em dezembro, de Otto Alencar Filho para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Ainda assim, o impasse persiste.
No PT baiano, prevalece a avaliação de que uma chapa formada por Jerônimo, Wagner e Rui Costa teria maior densidade eleitoral. Parte da militância, no entanto, faz críticas a Coronel, apontando falta de engajamento na campanha de 2022 e posições ambíguas em votações relevantes no Senado.
Apesar das tentativas de acomodação como a oferta de suplência ou espaço para Diego Coronel, o senador segue decidido a disputar a reeleição com base no apoio de prefeitos e lideranças locais. Ele admite, contudo, que a relação com o PT está abalada.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
“Não me sinto acolhido pela militância do PT. Nas redes sociais, dizem que não votarão em mim”, afirmou, reconhecendo que o rompimento pode ser definitivo.