Ansiedade, estresse crônico e sobrecarga da vida moderna são reconhecidos como os principais causadores da condição
O bruxismo, hábito involuntário de apertar ou ranger os dentes, está cada vez mais associado a fatores emocionais como ansiedade, estresse crônico e sobrecarga mental. Diferentemente do que se acreditava no passado, a condição não é causada por problemas de encaixe dos dentes, mas por alterações relacionadas ao sistema nervoso.
O comportamento pode ocorrer durante o dia, chamado de bruxismo em vigília, ou durante o sono, quando a pessoa range os dentes de forma inconsciente enquanto dorme.
Estudos recentes apontam que o problema é frequente principalmente entre crianças e adolescentes. Uma análise publicada em 2024 indicou que cerca de 31% das crianças no mundo apresentam bruxismo do sono, reforçando a necessidade de investigar fatores que podem desencadear o quadro.
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Uma pesquisa realizada com 213 adolescentes na Espanha durante o período de lockdown mostrou uma relação entre o aumento do uso de redes sociais durante a noite, níveis elevados de ansiedade e piora do bruxismo. Durante o período analisado, o uso noturno das plataformas digitais aumentou significativamente, assim como os índices de ansiedade e relatos de ranger ou apertar os dentes.
Segundo especialistas, o estresse psicológico ativa respostas do organismo que aumentam a tensão muscular e podem interferir na qualidade do sono, favorecendo episódios de bruxismo.
No Brasil, pesquisas com estudantes apontam que o problema atinge entre 20% e 30% dos alunos do ensino médio. Entre universitários, os índices podem chegar a aproximadamente 31,8% para o bruxismo noturno e 37,9% para o diurno.
Entre os fatores associados estão a pressão acadêmica, preocupações financeiras, cobranças sociais e o uso intenso das redes sociais. O chamado FOMO (Fear of Missing Out), conhecido como medo de ficar de fora de acontecimentos ou tendências, também é apontado como um elemento que contribui para a sobrecarga emocional.
Para o cirurgião-dentista Eduardo Groisman, o bruxismo ainda é uma condição cercada por dúvidas.
“Mesmo sendo um dos temas mais estudados em odontologia, o bruxismo ainda é extremamente mal compreendido. O desafio hoje é entender quando esse comportamento representa um fator de risco, protetor ou simplesmente uma adaptação fisiológica”, afirmou.
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Especialistas recomendam observar sinais como dor na mandíbula, desgaste dos dentes, dores de cabeça frequentes e alterações no sono. O tratamento pode envolver acompanhamento odontológico, mudanças de hábitos, controle do estresse e, quando necessário, avaliação de profissionais da área de saúde mental.