Pesquisa publicada na revista científica JAMA Neurology acompanhou quase 17 mil idosos em cinco países e viu a doença saltar de um em cada dez para quase um em cada seis no México, no Peru e em Porto Rico
Um estudo internacional publicado nesta quarta-feira (16) revelou que a incidência de demência tem aumentado na América Latina nas últimas duas décadas, enquanto países de alta renda registram uma tendência de queda nos novos casos. A pesquisa analisou dados populacionais de diferentes regiões do mundo e aponta que fatores socioeconômicos e o acesso desigual aos serviços de saúde explicam grande parte dessa diferença.
Segundo os pesquisadores, o avanço da doença na América Latina está relacionado ao envelhecimento acelerado da população, aos baixos níveis de escolaridade em gerações mais antigas e à alta prevalência de fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo. Esses problemas aumentam significativamente a probabilidade de desenvolver algum tipo de demência ao longo da vida.
Nos países ricos, por outro lado, especialistas observaram redução na incidência graças a melhorias na educação, maior controle das doenças cardiovasculares, campanhas de prevenção e acesso mais amplo ao diagnóstico precoce e aos cuidados médicos. Embora o número absoluto de pacientes continue crescendo devido ao envelhecimento da população, a proporção de novos casos tem diminuído em várias dessas nações.
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Os autores alertam que a América Latina poderá enfrentar um aumento expressivo no número de pessoas com demência nas próximas décadas caso não sejam ampliados os investimentos em prevenção, atenção básica e acompanhamento dos idosos. A recomendação é fortalecer políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável, incentivar hábitos de vida mais saudáveis e ampliar o acesso aos serviços especializados.
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A demência é uma síndrome que provoca perda progressiva da memória, da capacidade de raciocínio e da autonomia para realizar atividades cotidianas. O Alzheimer é a forma mais comum da doença, mas existem outros tipos, como a demência vascular e a demência por corpos de Lewy. Especialistas ressaltam que controlar fatores de risco ao longo da vida pode reduzir significativamente as chances de desenvolver o problema na terceira idade.